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Após flagrar sua esposa sendo estuprada, o marido cortou o pênis do estuprador e se entregou à polícia de Shevchenkovo, na Ucrânia. As informações são do Daily Mail. Ele confessou o crime no último domingo (13).

Era aproximadamente 1h quando a mulher saiu de um restaurante e seguia a pé para casa, a cerca de 500 metros do estabelecimento. Antes de chegar ao destino, ela foi arrastada para trás de um arbusto por Dmitry Ivchenko, de 25 anos.

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O marido - que não teve a identidade revelada - saiu do restaurante cerca de dez minutos depois e ouviu os barulhos estranhos que saíam dos arbustos. Neste momento ele viu Ivchenko com as mãos na garganta da esposa enquanto a abusava sexualmente.

Como reação, desferiu um soco na cabeça do agressor e manuseou um canivete suíço para cortar seu pênis. Os gritos do criminoso e o choro da mulher acordaram moradores, que correram para o local.

Segundo o advogado, o cliente ficou em estado de choque e perdeu o controle das ações. Ele foi acusado por danos corporais graves e cumpre prisão domiciliar. Caso condenado, poderá receber a sentença de até oito anos de prisão. O estuprador passou por uma cirurgia e pode cumprir até cinco anos na cadeia.

Após uma exaustiva negociação, Reino Unido e Comissão Europeia chegaram nesta quinta-feira (17) a um novo acordo para permitir um Brexit ordenado e o menos traumático possível.

O principal entrave nas tratativas era a questão da Irlanda. A ilha é repartida entre a Irlanda do Norte, território britânico, e a República da Irlanda, Estado-membro da União Europeia, e só foi pacificada em 1998, com o Acordo da Sexta-Feira Santa.

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Um dos pilares desse tratado é a ausência de fronteira física entre as Irlandas, o que acabou virando o ponto mais delicado nas negociações do Brexit. Na gestão de Theresa May, Londres e Bruxelas chegaram a um acordo que previa um mecanismo chamado "backstop".

O sistema tinha como meta evitar o ressurgimento de barreiras físicas na ilha e mantinha a Irlanda do Norte na união aduaneira europeia caso o Reino Unido e a UE não concluíssem um acordo de livre comércio no período de transição do Brexit.

    Os críticos do backstop argumentavam que o mecanismo enfraqueceria Londres nas futuras tratativas comerciais e arriscaria criar duas regulações diferentes no mesmo país.

Em teoria, May teria os votos necessários para seu acordo ser aprovado, mas o backstop desagradou à ala eurocética do Partido Conservador, liderada pelo agora primeiro-ministro Boris Johnson, e ao Partido Unionista Democrático (DUP), legenda norte-irlandesa que dá maioria aos "tories" no Parlamento.

O que mudou? - O acordo alcançado por Johnson enterra o backstop e estabelece um novo modelo para a relação entre as Irlandas.

O novo texto mantém o Reino Unido sob regras europeias até o fim de 2020, com possibilidade de prorrogação desse prazo para eventuais ajustes. Após a transição, a ilha da Grã-Bretanha sairá da UE e da união aduaneira, mas a Irlanda do Norte terá uma espécie de status duplo.

Por um lado, Belfast permanecerá no território aduaneiro do Reino Unido e será incluída em qualquer futuro acordo comercial fechado por Londres. Por outro, será um ponto de entrada para a zona aduaneira europeia.

Ou seja, o governo do Reino Unido aplicará, em nome da UE, tarifas europeias sobre produtos estrangeiros que arrisquem entrar na República da Irlanda e, por consequência, no mercado comum do bloco.

Esse sistema valerá inclusive para bens que sejam modificados. O jornal britânico The Mirror deu um exemplo: se uma empresa da Irlanda do Norte importar açúcar de um país terceiro, colocá-lo em um refrigerante e depois exportar a bebida para a UE, a matéria-prima será taxada em Belfast de acordo com as regras de Bruxelas.

    Um comitê conjunto entre Reino Unido e União Europeia determinará quais bens correm risco de entrar no mercado único.

Não haverá aduanas na ilha, e todos os controles alfandegários serão feitos nos portos. Também haverá isenções para bens pessoais ou de consumo imediato levados por indivíduos que cruzarem a fronteira entre as Irlandas.

Além disso, a Irlanda do Norte continuará alinhada a um número limitados de regras europeias, inclusive no aspecto sanitário.

Esse sistema vigorará até 31 de dezembro de 2024, nos quatro anos após o período de transição. Ainda antes de 2025, a Assembleia da Irlanda do Norte, suspensa desde janeiro de 2017, decidirá por maioria simples se mantém ou não as regras da UE.

O órgão poderá prorrogar o sistema vigente em votações a cada quatro ou oito anos, dependendo do percentual de aprovação. Se as regras europeias forem rejeitadas, elas deixarão de valer depois de dois anos.

Reações - O primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar, disse que esse complexo mecanismo é um "bom acordo" tanto para Dublin quanto para Belfast, uma vez que desfaz a hipótese de uma fronteira física e "protege o mercado único". "Recomendarei a aprovação desse compromisso ao Conselho Europeu", acrescentou.

Por outro lado, o DUP, que é essencial para a aprovação do tratado no Parlamento britânico, afirmou que a proposta "não é aceitável", uma vez que manteria parte das mercadorias em circulação na Irlanda do Norte sob regras europeias.

Além disso, o partido afirma que a proposta de dar à Assembleia de Belfast o poder de decidir por maioria simples sobre a questão viola o Acordo da Sexta-Feira Santa, que determina que as deliberações tenham sempre apoio de unionistas e nacionalistas.

Sem os votos do DUP, é improvável que o acordo de Johnson seja aprovado no Parlamento.

Da Ansa

Ele não tem boca, estômago ou cérebro, mas se alimenta, se locomove e tem capacidade mnemônica. Trata-se do "blob", um curioso organismo unicelular que pela primeira vez será apresentado ao público no zoológico de Paris.

Os novos astros do zoológico localizado no Bosque de Vincennes, que fascinam por terem 720 aparelhos sexuais e serem quase imortais, foram instalados no "vivarium", onde o público poderá vê-los a partir de sábado.

"Nossa missão também é mostrar os mistérios da natureza", disse Bruno David, presidente do Museu Nacional de História Natural de Paris e do Parque Zoológico.

Instalado ao abrigo da luz, o "physarum polycephalum" é uma massa esponjosa, amarela e viscosa, também conhecida como "blob", em alusão ao filme de 1958 com Steve McQueen, sobre uma criatura pegajosa extraterrestre que devora tudo em seu caminho.

Não é animal, planta, nem mesmo fungo, mas um organismo primitivo, que apareceu há 500 milhões de anos, antes do reino animal.

"Não sabemos muito bem onde colocá-lo no repertório do reino de seres vivos", explicou Bruno David.

Durante um tempo foi considerado um fungo, antes de unir-se nos anos 1990 aos mixomicetos, um grupo de protistas.

Como é unicelular, ao iniciar seu ciclo é microscópico e, portanto, difícil de detectar em seu ambiente, à sombra em florestas temperadas ou em locais subterrâneos.

- Resistente ao micro-ondas -

Mas tem vários núcleos, que podem se multiplicar ou dividir à vontade.

"Blobs de todos os tamanhos podem ser criados, nenhum limite é conhecido", explicou à AFP a etóloga Audrey Dussutour, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França e especialista neste protista.

Esse organismo pode atingir até 10 metros em laboratório, onde pode ser subdividido por corte, uma vez que os fragmentos cicatrizam.

Nas câmaras de cultura do zoológico, os especialistas criam novos espécimes diariamente, a partir da mesma amostra, para poder apresentar o maior número possível ao público.

Marlène Itan, uma "blobicultora" recente, irriga e alimenta todos os dias os "bebês". "Sempre mudam. Você não sabe o que vai encontrar quando chegar!", assegura.

Esse organismo realmente não para de surpreender. Pode morrer de várias maneiras, mas também entrar em estado dormente, secando a si mesmo.

"Nesse estado, é quase imortal. Você pode até mesmo colocá-lo no micro-ondas por vários minutos!", de acordo com Dussutour.

Uma vez reumidificado, pode começar de novo, iniciando seu ciclo do zero, acrescenta a pesquisadora, que possui um laboratório de amostras com mais de 70 anos.

Outra curiosidade: graças à corrente que circula em sua rede venosa, o "blob" se move, entre um e quatro centímetros por hora.

Como observá-lo através de um copo não é muito espetacular, o zoológico concebeu uma museologia interativa para vê-lo em ação através de vídeos de imagens aceleradas.

- Capaz de memorizar -

Seu sistema vascular complexo apaixona também os físicos. Alguns até tentam se inspirar para aplicá-lo nas redes elétricas.

Apesar da ausência de um sistema nervoso, ele é capaz de memorizar.

O zoológico mostra uma experiência que mostra como pouco a pouco ele aprende a ignorar o sal (que a priori causa repulsa a ele) colocado no caminho em direção a sua comida.

Com seus 720 sexos diferentes, possui uma reprodução sexual semelhante à do fungo.

"Como surgiu antes, foram os fungos e os animais que se inspiraram em seus hábitos", segundo Dussutour.

O 'physarum polycephalum', no entao, é inofensivo, destacam.

O presidente regional da Catalunha, Quim Torra, sugeriu nesta quinta-feira (17) uma nova votação sobre a independência na região espanhola durante seu mandato em resposta à condenação de seus ex-líderes pela tentativa de secessão de 2017.

"Defenderei que essa legislatura (que expira no início de 2022) seja concluída com o exercício novamente do direito à autodeterminação", declarou ao Parlamento regional.

"Todos conhecemos as dificuldades impostas pela repressão e pelo medo. Mas devemos seguir em frente e não ser intimidados por ameaças e proibições", acrescentou.

Essa tentativa fracassada de secessão em outubro de 2017, promovida pelo antecessor de Torra, Carles Puigdemont, levou à condenação entre 9 e 13 anos de prisão de nove líderes separatistas, decisão tomada na segunda-feira pelo Supremo Tribunal Federal que gerou três dias de fortes protestos com muita violência nesta região do nordeste da Espanha.

Até quarta-feira à meia-noite, com vários carros queimando em Barcelona e manifestantes jogando coquetéis molotov na polícia, Torra não condenou os fatos.

Em sua participação parlamentar, pediu apenas para "isolar e separar os "provocadores e agitadores dos manifestantes separatistas, mas também que sejam investigadas as ações da polícia subordinada a seu próprio governo por supostos excessos.

Após uma nova noite de violência nas ruas de Barcelona, os defensores da independência catalã começaram nesta quinta-feira o quarto dia consecutivo de mobilização contra a condenação de seus líderes.

Barcelona mostrava as cicatrizes de uma segunda noite de tumultos, com veículos queimados e barricadas nas ruas, e as autoridades locais relataram bloqueios de estradas devido a protestos ou queima de pneus em diferentes partes da Catalunha.

Muitas vias férreas também foram ocupadas por manifestantes na região de Barcelona, o que prejudicou a circulação de trens, mas o serviço foi retomado algumas horas depois.

Na quarta-feira, 96 pessoas receberam atendimento médico em quatro cidades da região, 58 delas em Barcelona, de acordo com fontes médicas.

O ministério do Interior informou que 33 pessoas foram detidas na quarta-feira, 12 delas em Barcelona, pela violência que deixou 46 policiais (nacionais e regionais) feridos, alguns deles com gravidade.

O chefe do Governo espanhol de esquerda, Pedro Sánchez, que durante a quarta-feira se reuniu com lideranças dos principais partidos políticos, não anunciou qualquer medida extraordinária em relação aos distúrbios, como foi reivindicado pela oposição de direita, em plena campanha para as eleições legislativas de 10 de novembro.

Fontes do ministério afirmaram que reforços policiais foram enviados à essa região de 7,5 milhões de habitantes.

Entre as medidas pedidas está a aplicação da Lei de Segurança Nacional, que colocaria nas mãos do Estado as competências em matéria de segurança da Catalunha e que poderia, inclusive, abrir caminho para uma intervenção da autonomia regional, como a que ocorreu em 2017 após a tentativa de secessão.

Sánchez se reunirá nesta quinta com um comitê para coordenar a situação na Catalunha antes de viajar para Bruxelas para participar de uma cúpula sobre o Brexit, segundo fontes de seu governo.

Um guarda do campo de concentração polonês de Stutthof compareceu nesta quinta-feira no tribunal da cidade alemã de Hamburgo (norte) por cumplicidade em milhares de assassinatos, em um dos últimos julgamentos de um SS nazista.

As audiências do julgamento começaram nesta quinta e durarão pelo menos até meados de dezembro, sendo limitadas a duas por semana e no máximo a duas horas cada devido ao estado precário de saúde de Bruno Dey, de 93 anos.

"A idade não deve impedir que o julgamento seja realizado. Ele foi uma das engrenagens da maior tragédia da história", declarou um representante do Centro Simon Wiesenthal, especializado na caça de nazistas, Ephraim Zorhoff.

Dey é acusado dea cumplicidade em assassinatos quando foi guarda "entre agosto de 1944 e abril de 1945" do campo de Stutthof, no norte da Polônia, a 40 km de Gdansk. Foi o primeiro campo nazista construído fora da Alemanha.

Neste campo 65.000 pessoas morreram, em sua maioria judeus dos países bálticos e da Polônia. O campo tornou-se parte do sistema de extermínio dos judeus em junho de 1944.

Dey, que tinha 17 anos na época, foi cúmplice no assassinato de 5.230 prisioneiros (5.000 "criando e mantendo condições que colocavam vidas em risco", 200 por gás e 30 com um tiro na nuca) .

- 'Máquina de assassinatos' -

O trabalho do réu era "impedir a fuga, revolta ou libertação dos prisioneiros" judeus do campo, condenados a serem mortos por bala ou pelo gás Zyklon B, segundo a acusação.

Dey era uma "engrenagem do maquinário assassino, com conhecimento de causa", acusa a Promotoria. O objetivo do julgamento é determinar se "ele apoiou conscientemente os cruéis assassinatos de prisioneiros, e de judeus em particular".

Os sobreviventes relataram que os assassinatos neste campo eram cometidos na frente dos funcionários.

O réu reconheceu durante a investigação que estava ciente do que acontecia no campo com as câmaras de gás e cremações de cadáveres, mas disse que não poderia fugir, porque corria o risco de ser morto também.

"O que eles fizeram conosco foi desumano", disse em entrevista à Deutsche Welle, uma sobrevivente do campo, Dora Roth, cuja mãe morreu de fome em Stutthof. A mulher faz parte das 28 acusações civis no processo.

"Ele é quem sabe, ele pode falar sobre isso e deve fazê-lo" na audiência, explicou Roth. "É a única maneira de evitar outro holocausto", acrescentou.

- Severidade tardia -

Nos últimos anos, a Alemanha julgou e condenou vários ex-SS por cumplicidade em assassinatos, ilustrando a crescente, mas tardia, severidade de sua justiça.

De fato, as Promotorias e tribunais alemães estenderam aos guardas dos campos a acusação de cumplicidade em assassinatos, anteriormente reservada a pessoas que ocupavam posições importantes na hierarquia nazista ou que estavam diretamente envolvidas nos assassinatos.

Até agora, nenhum desses condenados foi preso, em razão de seus problemas de saúde.

O caso mais emblemático foi o julgamento de John Demjanjuk no tribunal regional de Munique. Este ex-guarda do campo de extermínio de Sobibor foi condenado em 2011 a uma sentença de cinco anos de prisão. Ele morreu em 2012 antes de seu julgamento em recurso.

No início de abril, o processo de outro ex-guarda do mesmo campo nazista de Stutthof foi abandonado devido à degradação do estado de saúde do réu, de 95 anos.

Outros 23 casos desse tipo estão em andamento.

Donald Trump enviou uma carta para o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, aconselhando-o a "não ser um tolo" e aceitar sua mediação de um acordo com a liderança curda na Síria, sob o risco de ver a economia da Turquia ser destruída por ele.

A oferta, e a ameaça, constam em uma carta enviada por Trump a Erdogan no dia 9, início da ofensiva militar lançada pela Turquia contra os curdos no nordeste da Síria, obtida por Trish Regan, âncora da Fox Business e divulgada nesta quarta-feira (16), por ela em sua conta no Twitter. No mesmo dia, Trump, em declarações públicas, havia classificado a ação turca como uma "má ideia".

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"A história vai vê-lo favoravelmente se fizer isso da maneira certa e humanitária. E ela o verá para sempre como o diabo se boas coisas não acontecerem. Não seja durão. Não seja um tolo!", escreveu Trump.

Na carta com papel timbrado da Casa Branca, Trump conta a Erdogan estar "trabalhando duro" para resolver os problemas do presidente turco. Segundo Trump, o general Mazloum Kobani, comandante das Forças Democráticas Sírias (FDS), coalizão liderada pelos curdos no país, estaria disposto a negociar com Erdogan e "fazer concessões que nunca teria feito no passado". "Estou confidencialmente anexando uma cópia da carta dele (Kobani) para mim, que acabei de receber", acrescentou o presidente americano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A ONU vota nesta quinta-feira (17) a entrada de novos membros no Conselho de Direitos Humanos (CDH), com a América Latina renovando dois assentos e questionamentos à candidatura da Venezuela que levaram a Costa Rica a se propor como uma opção alternativa.

A votação para renovar cerca de um terço dos 47 membros do órgão com sede em Genebra está marcada para as 10h (11h de Brasília), na sede da ONU em Nova York.

A composição deste conselho criado em 2006 reflete critérios geográficos com 13 cadeiras para a África, 13 para a Ásia-Pacífico, oito para a América Latina e o Caribe, sete para a Europa Ocidental e seis para o Leste Europeu.

Seus membros são eleitos por maioria pela Assembleia Geral da ONU.

No Conselho, duas cadeiras que correspondem à América Latina serão renovadas: uma é atualmente ocupada pelo Brasil, que disputa a reeleição. Para a outro, inicialmente apenas a Venezuela se apresentou.

Mas em um momento em que a Venezuela atravessa uma grave crise econômica e política e o governo de Nicolás Maduro é rejeitado por mais de 50 países que reconhecem o líder do Parlamento Juan Guaidó como presidente interino, a entrada do país gera resistência.

Em julho, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, denunciou que no último ano e meio a Venezuela registrou quase 7.000 execuções extrajudiciais e que a grande maioria dessas mortes era de responsabilidade das forças de segurança.

No final de setembro, o CDH decidiu - por meio de uma resolução - criar "uma missão internacional independente" encarregada de investigar as supostas violações dos direitos humanos na Venezuela, uma medida rejeitada pelas autoridades do país sul-americano.

Nesse contexto, o presidente da Costa Rica, Carlos Alvarado, anunciou no início de outubro que seu país participaria como candidato e explicou que as "graves violações" dos direitos humanos relatadas no relatório de Bachelet indicam que a Venezuela não é um "candidato adequado".

A candidatura obteve imediatamente o apoio do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, que disse que seria "inadmissível" que a Venezuela assumisse a vaga.

Os membros do Conselho podem ser suspensos em caso de violações graves, mas apenas a Líbia recebe a sanção em 2011.

Concorrem às 14 vagas abertas 17 países: Alemanha, Armênia, Brasil, Coreia do Sul, Costa Rica, Holanda, Indonésia, Iraque, Ilhas Marshall, Japão, Líbia, Mauritânia, Moldávia, Namíbia, Polônia, Sudão e Venezuela.

O Parlamento de Hong Kong celebrou uma sessão conturbada nesta quinta-feira (17), quando, pelo segundo dia consecutivo, vários deputados pró-democracia tentaram interromper o discurso da chefe do Executivo local, Carrie Lam, alvo da ira dos manifestantes desde junho.

A retomada das atividades no Conselho Legislativo (LegCo) foi complicada na quarta-feira (16), três meses após a suspensão das sessões em consequência dos protestos dentro do prédio.

Na quarta-feira, Lam, designada por um comitê favorável a Pequim, desistiu de pronunciar seu discurso de política geral após as interrupções da oposição. O governo divulgou um vídeo pré-gravado.

Nesta quinta-feira, Carrie Lam deveria responder as perguntas dos deputados sobre seu discurso. Mas integrantes da oposição gritaram slogans dos manifestantes e a sessão parlamentar virou um caos. Vários deputados foram escoltados para fora do LegCo pelas forças de segurança.

Desde junho a ex-colônia britânica passa por sua pior crise desde a devolução à China em 1997, com manifestações e ações praticamente diárias para denunciar o retrocesso das liberdades e a crescente interferência de Pequim nos assuntos da região semiautônoma.

A mobilização surgiu como crítica a um projeto de lei que pretendia autorizar as extradições para a China.

O texto foi retirado, mas isto demorou muito, segundo os manifestantes, que ampliaram suas reivindicações, rejeitadas pelo Executivo local e por Pequim sob o argumento de que as liberdades em Hong Kong estão protegidas.

O Ministério Público da Espanha defende que o sargento brasileiro Manoel Silva Rodrigues deve cumprir pena de 8 anos de prisão por tráfico de drogas e pagar multa de € 4 milhões (R$ 18,2 milhões).

O militar foi detido durante escala em Sevilha em um avião da Força Área Brasileira (FAB) da comitiva presidencial de Jair Bolsonaro (PSL), que estava a caminho da cúpula do G7 em Osaka, no Japão. 

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De acordo com a promotoria espanhola, segundo informações obtidas pelo jornal El País, Rodrigues transportava 37 quilos da droga, quantidade com valor estimado em R$ 6,5 milhões, com uma pureza de 80,14%.

A investigação concluiu que Rodrigues era uma mula e teria um encontro com uma segunda pessoa para repassar a cocaína. A Espanha, contudo, não conseguiu identificar outros envolvidos no episódio de tráfico internacional.

Seis militares brasileiros foram para Sevilha na semana passada, onde o sargento brasileiro segue detido, para interrogar Rodrigues. À época da prisão, Bolsonaro classificou o episódio como "inaceitável" e solicitou investigação sobre o episódio. 

Ainda de acordo com o jornal El País, antes de viajar na comitiva de Bolsonaro, Rodrigues já havia participado de viagens internacionais de Michel Temer (MDB).

Da Sputnik Brasil

A justiça francesa condenou, nesta quarta-feira (16), a cinco anos de prisão uma mãe que escondeu durante dois anos seu bebê no porta-malas de um carro, o que deixou a criança com danos irreversíveis.

Rosa Maria da Cruz, de 51 anos e mãe de outros três filhos, havia sido condenada em primeira instância em 2018 a cinco anos de prisão, três deles suspensos, mas apelou da sentença.

Um tribunal de apelação a condenou nesta quarta-feira a uma pena de cinco anos de prisão. Da Cruz enfrentava uma pena máxima de 20 anos.

O caso que chocou toda a França veio à tona em 2013, quando a mãe da garota, chamada Séréna, foi até uma oficina mecânica com o carro no qual mantinha sua filha escondida desde o nascimento, cerca de dois anos antes.

A bebê foi descoberta nua, coberta de excrementos e incapaz de manter a cabeça erguida no carro da mãe. Rosa escondia a existência do bebê de seus filhos e de seu marido.

O casal teve outros três filhos, entre 6 e 12 anos de idade, todos na escola e normalmente integrados à sociedade.

Séréna, que vive hoje com uma família de acolhida e em breve fará oito anos, sofre de um "déficit funcional de 80%", uma "síndrome do autismo certamente irreversível" relacionada às condições de seus 23 primeiros meses de vida, segundo avaliações.

A defesa alegou que Da Cruz sofreu uma "negação da gravidez", a terceira em quatro gestações, seguida de uma "negação de filho", argumento que a acusação rejeitou.

A agência britânica de combate ao crime anunciou nesta quarta-feira (16) o desmantelamento de uma das maiores redes que vendiam vídeos de pedofilia on-line, o que levou à prisão de 337 suspeitos em 38 países.

As prisões ocorreram após o desmantelamento de uma página gerenciada na "Dark Web" da Coreia do Sul, onde se "monetizava o abuso sexual de crianças".

Os países em questão incluem Reino Unido, Irlanda, Estados Unidos, Coreia do Sul, Alemanha, Espanha e Arábia Saudita, entre outros.

O novo comandante da Gendarmaria do Vaticano, encarregado da segurança do papa, Gianluca Gauzzi Broccoletti, entrou em ação nesta quarta-feira (16) durante a tradicional audiência na Praça de São Pedro.

Gauzzi Brocoletti acompanhou a pé o papamóvel que atravessou a imensa praça com um grupo de crianças a bordo. Especialista em engenharia da segurança e proteção, 45 anos, foi por dois anos vice-comandante do corpo da Gendarmaria do Vaticano, onde ingressou em 1995.

Na terça-feira à noite, Francisco visitou a casa de seu antecessor, Domenico Giani, que renunciou esta semana após 20 anos de serviço devido ao vazamento para a imprensa de informações reservadas sobre fraudes no Vaticano.

A publicação pela revista italiana L'Espresso de uma circular assinada por Giani em 2 de outubro, com as fotos e nomes das cinco pessoas investigadas e "suspensas por precaução" de suas funções, gerou escândalo, pois envolvia importantes funcionários da Santa Sé.

"Esta publicação é prejudicial à dignidade dos interessados e à imagem da Gendarmaria", disse a Santa Sé na segunda-feira ao anunciar que o papa havia aceitado a demissão de Domenico Giani, a quem agradeceu por sua "lealdade inquestionável", dando a entender que ele havia sido vítima de manobras internas.

Sua renúncia representa uma "expressão de liberdade e responsabilidade institucional", escreveu Francisco, que visitou a família Giani na terça-feira à tarde para reiterar pessoalmente seu apreço.

Refugiados e deslocados que retornam às regiões da Síria controlados pelo regime de Bashar al-Assad sofrem detenções arbitrárias, corrupção endêmica e serviços públicos ineficazes, informou uma ONG nesta quarta-feira.

"Os sírios nos territórios do regime, vivem com medo e se sentem extremamente vulneráveis", afirmou a Associação Síria para a Dignidade do Cidadão (SACD, sigla em inglês) em uma entrevista coletiva em Istambul.

Cerca de 59% das pessoas consultadas pelo estudo publicado por esta organização "consideram seriamente deixar as áreas do regime assim que a ocasião se apresentar".

O regime sírio tomou vários locais dos rebeldes e jihadistas e incentiva os mais de cinco milhões de refugiados que vivem no exílio a retornar à Síria. Mas a SACD denuncia "detenções arbitrárias" e "recrutamento forçado", "uma moeda comum entre as forças de Assad".

A associação interrogou 165 pessoas em torno de Damasco, bem como nas províncias de Alepo (norte), Homs (centro) e Deraa (sul). Dois terços dos entrevistados dizem que "vivem com o medo permanente de detenção ou assédio" pelos serviços de segurança e pelo regime militar.

A ONG também denuncia casos de "corrupção" e "extorsão". Cita como exemplo Um Mohamed, 45 anos e originalmente de Aleppo.

"Ela foi presa enquanto tentava obter um documento de identidade. Ela passou 50 dias na prisão e foi forçada a abrir mão de sua casa e parte de sua propriedade para o regime militar", afirma a ONG. Para ser libertada, "teve que pagar uma quantia significativa em dinheiro para subornar um oficial".

Mais de 198.000 refugiados retornaram à Síria entre 2016 e agosto de 2019, segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). A maioria dos questionados pela SACD sente "total insatisfação" com serviços básicos como água e eletricidade e 66% reclamam dos serviços de saúde.

O ministro das Relações Exteriores sírio, Walid Muallem, garante que o regime não prende nenhum dos cidadãos que voltam ao país.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, se reunirá com o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, enviado por Donald Trump para tentar impedir o conflito na Síria, informou a presidência turca.

Erdogan, que disse pouco antes à rede de televisão Sky News que Pence e o secretário de Estado americano Mike Pompeo seriam recebidos apenas por seus colegas, "prevê, é claro, se reunir com a delegação dos Estados Unidos", disse o diretor de comunicação da presidência turca no Twitter.

Para resolver o assunto, a presidência turca postou um pequeno vídeo no Twitter, no qual Erdogan diz à mídia turca que se encontrará com Pence e Pompeo.

Quase 500 curdos da Síria fugiram nos últimos quatro dias para o Curdistão iraquiano ante o aumento da ofensiva militar turca no norte da Síria, afirmaram as autoridades locais.

Todas as famílias foram escoltadas até acampamentos de deslocados internos na região noroeste do Iraque, onde milhões de iraquianos encontraram refúgio após o avanço do grupo Estado Islâmico (EI) em 2014, informou à AFP uma fonte do governo da província de Dehok, região curda fronteiriça com a Síria.

As ONGs que atuam no Curdistão iraquiano se declaram em estado de alerta desde que Ancara iniciou uma operação militar no norte da Síria contra a milícia curda síria das Unidades de Proteção Popular (YPG), aliada dos países ocidentais na luta contra os jihadistas.

No sábado, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que "182 curdos sírios cruzaram a fronteira para o Curdistão iraquiano para escapar de bombardeios no nordeste da Síria".

Ao ser questionado pela AFP sobre eles, Ismael Ahmed, secretário para assuntos humanitários no conselho provincial de Dehok, afirmou que são "curdos sírios que já residem no Curdistão iraquiano, que visitaram parentes na Síria antes de partir na outra direção em consequência dos bombardeios".

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, anunciou nesta quarta-feira (16) uma ajuda de emergência de 710 milhões de ienes (6,5 milhões de dólares) para as vítimas do tufão Hagibis, que deixou pelo menos 74 mortos no país.

A ajuda imediata pretende melhorar as condições de vida nos refúgios das regiões afetadas, que abrigavam 4.400 pessoas nesta quarta-feira, segundo a agência de notícias Kyodo.

Os fundos representam uma parcela ínfima da reserva especial de 500 bilhões de ienes que o Estado japonês dispõe para administrar as situações de desastre.

O governo deu a entender que poder liberar uma ajuda maior após um decreto de estado de catástrofe natural, procedimento legal que exige mais tempo. Tóquio também decidiu acelerar a distribuição de subsídios já previstos para 300 áreas afetadas pelo tufão.

Empresas privadas, como Sony, Fast Retailing (Uniqlo) e Marubeni, também anunciaram doações financeiras ou materiais (roupas, por exemplo). O Japão prossegue com as buscas por sobreviventes mais de três dias após a passagem do tufão, que afetou o centro, leste e nordeste do país.

Autoridades japonesas enfrentam as consequências do Tufão Hagibis, que deixou pelo menos 74 mortos. Equipes de resgate ainda tentam localizar desaparecidos, enquanto equipes de emergência procuram distribuir alimentos para pessoas que enfrentam dificuldades.

Na província de Miyagi, moradores isolados por causa do desastre enviaram mensagens pedindo às autoridades que enviem ajuda. Equipes de resgate utilizaram helicópteros para chegar a áreas isoladas devido às enchentes.

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O tufão provocou ventos fortes e chuvas torrenciais, causando o rompimento de 79 diques em rios em todo o país. A NHK apurou que mais de 13 mil residências ficaram submersas e que mais de 1,1 mil foram destruídas ou danificadas.

Cerca de 11 mil casas em nove províncias ainda estão sem luz. Mais de 110 mil lares em 13 províncias encontram-se sem água. Não se sabe quanto tempo levará até que os serviços sejam restaurados.

Os serviços de trem-bala da linha Hokuriku continuam parcialmente interrompidos. Segundo a operadora da linha, serão necessárias cerca de duas semanas, no mínimo, para que as operações sejam completamente retomadas.

Em resposta, algumas companhias aéreas japonesas estão aumentando o número de voos e empregando aeronaves maiores.

Um sistema de pressão baixa deve gerar fortes chuvas, na sexta-feira (18) e no sábado, no leste e no norte do Japão. Isso tem causado preocupações em áreas atingidas pelo desastre, onde o solo está mole. Segundo as autoridades, mesmo uma quantidade pequena de chuva é capaz de desencadear novo desastre.

Até a manhã de hoje, 4.444 pessoas permaneciam em abrigos temporários em 13 províncias do Japão, informou o Escritório do Gabinete.

A província de Fukushima, na Região Nordeste, tem o maior número de flagelados, com 1.769 pessoas em 52 abrigos. Em seguida, vem a província de Nagano, a noroeste de Tóquio, com 922, enquanto a província de Miyagi, ao norte de Fukushima, tem 775.

As medidas tomadas pelo governo japonês para enfrentar o tufão Hagibis dominaram as discussões dessa terça-feira (15) no Parlamento nacional.

Políticos de oposição questionaram o modo como o governo respondeu à calamidade. Indagaram, por exemplo, por que resíduos radioativos deixados pelo desastre nuclear de 2011 não foram protegidos adequadamente.

Diversos bolsões com resíduos produzidos pelos esforços de descontaminação acabaram entrando nas águas de um rio da província de Fukushima.

O ministro do Meio Ambiente, Shinjiro Koizumi, citou informações prestadas por autoridades locais, segundo as quais dez bolsões foram levados do seu local de armazenamento pela inundação. Uma investigação apura se um número maior de recipientes teria sido afetado.

“Fui informado de que os bolsões já recolhidos não sofreram danos, não havendo impacto sobre o meio ambiente”, disse ele.

*Emissora pública de televisão do Japão

As sanções anunciadas pelos EUA, na segunda-feira (14), parecem não ter abalado o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Nesta terça-feira (15), o canal estatal TRT e o site de notícias T24 revelaram que Erdogan conversou por telefone com Donald Trump e disse que não negocia com terroristas.

Mais tarde, a caminho de uma reunião de gabinete, Erdogan disse que ignorou os pedidos de Trump por um cessar-fogo. "Nunca declararemos cessar-fogo, porque estamos estabelecendo uma zona de segurança na fronteira", disse o presidente turco. "Não tenho absolutamente nenhuma preocupação com sanções."

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Se as medidas de Trump não surtiram efeito, o Congresso promete apertar mais o cerco à Turquia. A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, disse ontem que negocia com o senador republicano Lindsey Graham a aprovação de uma lei que "reverta" a decisão de Trump de retirar as tropas da Síria.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Algumas imagens do líder norte-coreano Kim Jong Un montado em um cavalo branco passeando na neve do Monte Paektu, a montanha sagrada do país, localizada na fronteira com a China, provocaram rumores sobre um importante anúncio político nas próximas horas.

As imagens, divulgadas nesta quarta-feira (16) pela agência de imprensa nacional norte-coreana KCNA, são acompanhadas de um texto que descreve o passeio a cavalo como um "grande evento de importância fundamental" para o país.

Segundo a agência, "vai acontecer uma grande operação que surpreenderá o mundo e significará um passo adiante na revolução coreana". Os analistas consideraram que o passeio a cavalo poderia ser o prenúncio de mudanças importantes.

"No passado, Kim foi ao Monte Paektu sempre antes de uma importante decisão política", recorda Shin Beom-chul, do Instituto Asan de estudos políticos de Seul.

Por exemplo, Kim esteve na montanha em dezembro de 2017, antes de um processo de abertura diplomática que permitiu, entre outras coisas, uma reunião de cúpula histórica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No entanto, as negociações não avançaram nos últimos meses e a Coreia do Norte aumentou a tensão diplomática com uma série de testes de mísseis.

Para B.R. Myers, especialista em propaganda norte-coreana e professor da Universidade Dongseo da Coreia do Sul, as imagens carregam um valor imperial e falam de um líder protetor da pureza da nação contra as forças estrangeiras que querem corrompê-la. O pai e o avô de Kim também gostavam desses passeios a cavalo entre picos nevados.

Kim também visitou o local onde é realizado um grande projeto de construção, no sopé do Monte Paektu, segundo a KCNA, onde lamentou as dificuldades econômicas que o país está enfrentando devido a sanções internacionais.

"A situação em nosso país é difícil devido a sanções incessantes e pressão de forças hostis", disse Kim, segundo a agência.

A Coreia do Norte é objeto de várias sanções da ONU por seus programas de armas nucleares e de mísseis.

As negociações iniciadas na Suécia entre Pyongyang e Washington sobre o programa nuclear norte-coreano foram interrompidas no início deste mês sem chegar qualquer conclusão.

A Coreia do Norte acusa os Estados Unidos pelo fracasso do diálogo, enquanto Washington considerou a reunião positiva. Uma nova reunião poderá ocorrer antes do final de outubro, de acordo com os Estados Unidos.

A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, foi obrigada nesta quarta-feira (16) a desistir de pronunciar um discurso no Parlamento local em consequência das vaias dos deputados, após meses de manifestações e crise política.

Com o discurso de política geral, Lam pretendia recuperar a confiança da população, mas os deputados pró-democracia a vaiaram intensamente, o que forçou a chefe do Executivo a abandonar o Conselho Legislativo ("LegCo", Parlamento local).

O discurso era considerado muito importante após meses de protestos e ações quase diárias para exigir reformas democráticas, em meio a denúncias de interferência do governo central da China. O novo episódio demonstra a profunda divisão na sociedade de Hong Kong.

Lam tentou em duas ocasiões pronunciar o discurso, mas os deputados de oposição, minoritários no Conselho Legislativo dominado por parlamentares favoráveis a Pequim, impediram com suas vaias.

Alguns exibiram cartazes que mostravam a imagem da chefe do Executivo com as mãos ensanguentadas.

Um deputado utilizou um pequeno aparelho para projetar na parede atrás de Lam mensagens dos jovens que participam dos protestos pró-democracia há quatro meses. Depois colocou uma máscara com o rosto do presidente chinês Xi Jinping.

Carrie Lam fez uma segunda tentativa, em vão. A chefe do Executivo, com nível mínimo de popularidade, abandonou o Parlamento sob escolta. Poucos minutos depois, um vídeo pré-gravado do discurso foi divulgado.

Esta foi a primeira vez que um chefe do Executivo da ex-colônia britânica não conseguiu fazer o discurso anual sobre o política, algo que ocorre desde 1948.

No discurso pré-gravado, Lam anuncia ajudas financeiras e a intenção de aumentar a oferta de alojamentos e terrenos para resolver a crise da habitação. Os aluguéis na região semiautônoma estão entre os mais elevados do mundo.

- "Superar a tempestade" -

"Acredito de modo veemente que Hong Kong poderá superar esta tempestade e avançar", disse.

Como era esperado, Lam não fez qualquer concessão aos manifestantes, o que provocou muitas críticas do movimento pró-democracia.

"Aconteceram tantas coisas nas ruas de Hong Kong durante os últimos quatro meses, mas Lam se escondeu em um abismo ou agiu como uma estátua de cera", lamentou Tanya Chan, deputada pró-democracia.

A deputada pró-Pequim Regina Ip criticou a atitude dos deputados da oposição.

"Considero o comportamento de meus colegas pró-democracia, que insultam, gritam e pulam para impedir que a chefe do Executivo pronuncie seu discurso político, vergonhoso e que deveria ser condenado", disse.

Willy Lam, da Universidade Chinesa de Hong Kong, acredita que o discurso não acalmaria o movimento de protesto, alimentado por anos de descontentamento com o retrocesso das liberdades e a ausência de um autêntico sufrágio universal.

"Carrie Lam segue as instruções de Pequim. Mesmo os subsídios econômicos não parecem muito impressionantes e será necessário esperar anos para que se materializem", disse.

A mobilização começou com a rejeição a um projeto de lei que autorizaria as extradições para a China.

O texto foi retirado, mas isto aconteceu com muito atraso, de acordo com os manifestantes, que ampliaram as reivindicações, rejeitadas pelo Executivo local e Pequim, sob o argumento de que as liberdades em Hong Kong estão protegidas.

O discurso de Lam aconteceu poucas horas depois da Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovar uma "lei sobre os direitos humanos e a democracia em Hong Kong" que ameaça suspender o estatuto econômico especial concedido por Washington à ex-colônia britânica.

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