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| Ciência e Saúde

Macacos programados geneticamente para expressar um gene ligado ao autismo acabam de ser criados em laboratório por pesquisadores americanos e chineses. Os animais apresentam traços comportamentais e padrões de conectividade cerebral similares aos registrados em humanos e poderão ser usados para testar novas drogas e tratamentos contra o autismo e outros transtornos neurológicos.

"O nosso objetivo era criar um modelo que nos permitisse entender melhor o mecanismo biológico do autismo e testar opções de tratamento que possam ser eficientes em humanos", explicou um dos principais autores do estudo, Guoping Feng, do Instituto McGovern para Pesquisa do Cérebro, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA.

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Até agora, muitos testes de novos tratamentos e drogas eram feitos em camundongos geneticamente modificados, mas nenhum deles foi bem sucedido. Como os macacos são mais parecidos com os humanos, cientistas esperam que serão um modelo de testagem mais eficiente.

"Nós precisamos urgentemente de opções de tratamento para desordens do espectro do autismo, e os tratamentos desenvolvidos com camundongos não foram bem sucedidos", disse o diretor do Instituto do Cérebro do MIT, Robert Desimone, que também é autor do estudo.

"As pesquisas com os camundongos continuam sendo muito importantes, mas acreditamos que os primatas nos ajudarão a desenvolver medicamentos e, possivelmente, até terapias genéticas para as formas mais severas de autismo", complementou.

Huihui Zhou, do Instituto de Tecnologia Avançada de Shenzhen; Andy Peng Xlang, da Universidade Sun Yat-Sem; e pesquisadores da Universidade Agrícola de Shihua Yang, na China, também participaram do estudo, publicado esta semana na revista Nature, uma das mais importantes revistas científicas do mundo.

Variantes genéticas

Até hoje, os cientistas já identificaram centenas de variantes genéticas relacionadas ao espectro do autismo. No novo estudo, os pesquisadores usaram o gene Shank3, que tem uma forte relação com o transtorno e também está relacionado a uma desordem rara chamada síndrome de Phelan-McDermid - que provoca problemas de fala, interferência no sono e comportamentos repetitivos.

A proteína codificada pelo gene Shank3 é encontrada nas sinapses - a região de transmissão dos impulsos nervosos entre os neurônios. É particularmente ativa em uma parte do cérebro responsável pelo planejamento motor, a motivação e os comportamentos de hábito.

Feng e outros cientistas já haviam trabalhado com camundongos que apresentavam mutações na expressão do Shank3 e constataram que eles revelavam algumas características associadas ao autismo, como evitar o contato social e apresentar comportamentos obsessivos e repetitivos.

Embora os trabalhos com camundongos tenham oferecido informação em nível molecular, o estudo sobre o desenvolvimento neuronal dos transtornos não foi bem sucedido. Isso acontece, em grande parte, porque os camundongos não têm o córtex pré-frontal muito desenvolvido - que é a região do cérebro responsável por traços característicos dos primatas, como a tomada de decisão, a atenção focada, a interpretação de dados sociais - todos eles relacionados ao transtorno.

Até o ano que vem, os cientistas esperam poder testar nos macacos tratamentos para os sintomas relacionados ao autismo. Eles querem também identificar biomarcadores - como, por exemplo, os padrões de conectividade cerebral detectados nos exames de ressonância magnética que poderiam ajudar a avaliar se os tratamentos estão fazendo efeito.

"Dadas as limitações dos modelos com camundongos, os pacientes realmente precisam desse tipo de avanço para ter esperança", disse Feng. "Não sabemos se os novos modelos serão bem sucedidos no desenvolvimento de tratamentos, mas, nos próximos anos, veremos como eles podem nos ajudar a traduzir algumas das descobertas de laboratório para a clínica médica."

Cuidado materno

O pesquisador brasileiro Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia, especialista em austismo, chama atenção para um outro aspecto do estudo dos americanos e dos chineses: o cuidado especial dispensado pela mãe macaca com o filhote autista.

"A maior parte do trabalho compara o filhote autista com os demais, mas a relação da mãe com os filhotes é bem interessante porque revela que ela dá muito mais atenção ao que apresenta o transtorno", afirma Muotri.

Para o especialista, o resultado é importante para contestar a explicação psicológica do autismo, segundo a qual o transtorno se manifestaria em crianças tratadas com mais distanciamento e frieza pelas mães.

"Acho que a explicação psicológica do autismo pode ser enterrada agora", disse o especialista. "O estudo mostra o esforço materno para cuidar daquele filhote."

Cinquenta e um planos de saúde de 11 operadoras tiveram a comercialização proibida a partir desta sexta-feira (14). A decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), anunciada no último dia 7, impede que esses planos recebam novos clientes até que sejam comprovadas melhorias no atendimento.

Os 600 mil beneficiários desses planos não são afetados pela medida, já que as operadoras são obrigadas a continuar oferecendo cobertura para os clientes.

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A suspensão é parte do Programa de Monitoramento da Garantia de Atendimento, que faz avaliações trimestrais dos planos, com base em reclamações de clientes acerca de questões como cobertura assistencial, prazo máximo de atendimento e rede de atenção, entre outras.

Vinte e sete planos de dez operadoras, que haviam sido suspensos em avaliações anteriores, conseguiram melhorar seu atendimento e tiveram autorização para voltar a ser comercializados a partir de hoje.

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Pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) em 2018 mostra que 29% das mulheres em tratamento contra o câncer consideram o companheiro como a principal fonte de apoio. Pensando nisso, o Centro de Tratamento Oncológico (CTO), em Belém, decidiu valorizar e incentivar os homens que apoiam suas mulheres na luta contra a doença. Médicos e funcionários indicaram pacientes e acompanhantes que vivem juntos a rotina de terapias e tratamentos para um jantar romântico de Dia dos Namorados. Cada detalhe foi pensado para que eles tivessem uma noite inesquecível.

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O local escolhido foi o restaurante Buiagu, no hotel Atrium Quinta das Pedras. O cenário intimista ganhou uma decoração temática, com balões em forma de coração, mesas postas com capricho e até um cardápio personalizado para deixar a noite ainda mais prazerosa.

Na entrada do salão, os convidados foram recebidos com música. A violinista Thaís Carneiro e o violoncelista Arthur Alves apresentaram um repertório romântico, certeiro.

Os casais

Josylenne Silva e Paulo Braga já estavam noivos e planejavam o primeiro filho quando ela descobriu o câncer de mama, mas o diagnóstico não abalou o amor entre eles. "Ele tomou as rédeas de tudo, passou à frente e soube conduzir onde nós chegamos até agora. Ele é a minha rocha, a minha fortaleza", diz Josylenne.

Paulo se revelou um especialista em cuidar de pessoas. "Eu falei: poxa, sabe duma qualidade que eu tenho? Eu sei cuidar das pessoas. Eu falei pra ela: eu vou cuidar de você. Se você deixar, eu vou cuidar de você", conta Paulo, que também prometeu estar sempre ao lado da noiva. “Eu falei: vamos pra cima. Você vai olhar para o lado e vai me ver, você vai olhar pra frente e vai me ver, vai olhar pra trás e vai me ver, vai olhar pro seu lado direito e vai me ver. Se você tinha alguma dúvida, você nunca mais vai estar só na sua vida, em qualquer momento", garante.

Élida e Vítor Fleury são casados há 12 anos. A descoberta do câncer de mama foi meio por acaso. Ou por providência divina, acredita o casal. Élida viu nas redes sociais um vídeo de uma amiga batendo um sino, em comemoração ao fim do tratamento de quimioterapia, e, por causa disso e de uma dor no braço, resolveu fazer exames. Foi assim que ela descobriu um nódulo na mama. Hoje, Élida exalta o marido. "Eu não teria chegado nunca até aqui sem o apoio dele, tudo que ele fez por mim, ele foi fundamental. Ele foi a razão no momento em que eu era só emoção. Ele foi a pessoa que me colocou pra cima, que me fez acreditar, que eu ia vencer, que eu ia me curar."

Para Vítor, o diagnóstico precoce ajudou no tratamento, mas ele acredita que os dois teriam que enfrentar tudo juntos mesmo. "Eu acho que primeiro tem que ter muita fé em Deus e ter certeza de que os planos que Ele traçou, tanto pra vida da Élida, quanto pra minha vida, pra nossa família, os planos já estão traçados, entendeu? É uma pedra no meio do caminho. A gente tem que andar, tropeçar, cair e se levantar."

Outro casal que enfrenta o câncer com força, fé e muito amor é formado por Helcio e Elana Arruda. O apoio nos momentos mais difíceis foi fundamental para superar a doença. Elana lembra quando começou a perder os cabelos por causa da quimioterapia. “O cabelo é a moldura do rosto da mulher, é a vaidade da mulher, que gosta de estar no salão. Quando eu vi meu cabelo caindo, não caía pouco, caia um chumaço. Até quando eu fui tomar banho, caiu todo. Nós chorando, eu e o meu marido, fomos pro banheiro e eu disse: raspa tudo. Ele disse: tudo? Eu disse: tudo. Fiquei careca. Acabou o choro", conta.

Para ele, a esposa deu um exemplo de força. “Era o momento de ela entender que precisava se desprender um pouquinho mais da vaidade, que aquilo não é tudo na vida ou é muito pouco pra quem ama. No dia e na hora em que precisou tomar essa decisão, eu disse: eu vou raspar sua cabeça. Pequei o aparelho, raspei. E foi um aprendizado novo pra que a gente fortalecesse mais a relação", conta Helcio.

Paulo Carriço foi o único homem em tratamento convidado para o jantar de namorados. Ele e a esposa Enilda passaram a noite de mãos dadas e comprovaram ser um casal incansável no amor e na fé. "Ela é fundamental nisso tudo. Desde o momento em que nós tivemos a notícia da doença, ela reuniu as crianças, nossos filhos de 29 e 30 anos, e quando nós quatro estávamos unidos, ela disse: teu pai está com câncer e se tivermos que chorar, vamos chorar agora”, lembra Paulo, emocionado. “Desde aí, ela foi incansável no amor que a gente tem. Na verdade, quem tem Deus no coração, tem amor. E ela, ao longo desses três anos, tem sido incansável comigo", diz entre um carinho e outro da esposa. 

Enilda lembra que o marido já passou por duas cirurgias. “Na primeira cirurgia, eu fiquei não sei nem quantas horas na porta do centro cirúrgico. Ele saiu dizendo assim pra mim (sinal de positivo). Rindo, brincando, pedindo para bater uma foto dele. E aquilo me levantou mais ainda. Eu vi que o nosso amor ia conseguir tudo”, conta Enilda, que aconselha: “Não percam a fé. Deus não manda nada à toa pra gente. Sempre tem o lado positivo e o lado negativo. Não olhem para o lado negativo, olhem sempre ara o lado positivo, que vão sempre ter vitórias na vida de vocês", afirma.

Amor em versos

Os casais brindaram com espumante e, graças à cumplicidade dos maridos e da esposa, o momento foi ainda mais emocionante. Helcio, Paulo, Vítor e Enilda indicaram as músicas preferidas de cada casal para serem tocadas no momento do brinde e aí ninguém segurou as lágrimas.

A surpresa final foi o presente aos casais: um porta-retrato personalizado, com uma foto tirada de cada casal durante o jantar. Assim, todos puderam levar para casa o registro de uma noite inesquecível.

Por Dina Santos, especialmente para o LeiaJá.

O número de óbitos por Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) aumentaram 14% em dez anos em decorrência da poluição atmosférica. Em 2006, foram registradas 38.782 mortes, já em 2016 o número subiu para 44.228. Este é um levantamento feito pelo Saúde Brasil 2018, do Ministério da Saúde, que utilizou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

Os grupos de DCNT levadas em consideração no estudo foram isquêmica do coração, pulmonar obstrutiva crônica, cânceres de pulmão, traqueia e brônquios. "Entre as doenças, destacamos as afecções do sistema respiratório. As mais frequentes são as doenças pulmonares crônicas, como bronquite e asma, causadas pela hiper-reatividade das vias aéreas devido a contração dos músculos respiratórios estreitando as vias aéreas. A rinite e a sinusite também podem ser desencadeadas pelas partículas poluentes inaladas que irritam e inflamam a mucosa", diz a otorrinolaringologista do Hospital Paulista, Cristiane Adami. "A poluição do ar também aumenta o risco de distúrbios do coração e agressão aos vasos sanguíneos favorecendo a aterosclerose, que pode levar ao infarto ou AVC", complementa.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) cerca de 4,2 milhões de mortes prematuras acontecem por ano, atribuídas à poluição do ar ambiente no mundo. Desses casos, 91% acontecem em países de baixa e média renda do Pacífico e Sudeste Asiático. No Brasil, comparando os resultados encontrados por óbitos de homens e mulheres, houve um aumento em mortes causadas por câncer de pulmão, traqueia e brônquios, e doença pulmonar obstrutiva crônica. "A população é responsável por este fato, por causar o aumento da poluição atmosférica. Os principais componentes da poluição do ar são produzidos principalmente por automóveis, motocicletas, aviões, fábricas, queimadas e centrais termoelétrica. Nós somos responsáveis por tamanha poluição e estamos adoecendo por consequência", afirma Cristiane.

A redução dessa poluição é uma responsabilidade que envolve vários setores, como a indústria, transporte, energia e meio ambiente, além da população, que é parte importante nesse processo. "A principal forma de evitar as doenças é tentar diminuir a poluição, o que também exige medidas governamentais para diminuição de emissão de poluentes e a conscientização pessoal para melhorar o meio ambiente", diz Cristiane. "Para conviver melhor e de maneira mais saudável diante de tanta poluição, temos que lavar sempre as narinas com soro fisiológico para limpar as partículas poluentes que podem chegar até os pulmões, usar purificadores de ar nos ambientes, fazer a limpeza do lar para evitar acúmulo de inalantes da poluição, beber bastante líquido para a hidratação das mucosas, não fumar e fazer acompanhamento médico preventivo", complementa.

No próximo sábado (15), o Hospital Santo Amaro realizará um mutirão de consultas com ortopedistas em ação promovida pela Prefeitura do Recife. Os atendimentos serão realizados das 8h às 16h, sem demanda espontânea, com priorização de agendamento dos usuários com solicitação pendente no sistema de regulação de saúde da Secretaria de Saúde da capital pernambucana.  

A ação começou no último sábado (8), e está sendo possibilitada através da parceria entre o hospital e a prefeitura do Recife. A expectativa é que 960 pessoas sejam atendidas no próximo sábado (15). A iniciativa faz parte do programa “Chegando Junto”, que engloba um conjunto de ações da Prefeitura do Recife em prol da população que vive nas áreas mais vulneráveis da cidade.

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De acordo com a assessoria, os atendimentos na área de ortopedia geral cuidarão de problemas relacionados ao sistema locomotor, como ossos, músculos e articulações e atenderão pacientes que, na maior parte dos casos, têm queixa de problemas na coluna ou nos joelhos. Caso seja necessário, os pacientes farão exame de raio-x no próprio local.

Segundo Raul Mariz, superintendente geral da Santa Casa de Misericórdia do Recife, entidade responsável pelo Hospital de Santo Amaro, essa parceria entre a unidade de saúde e a PCR “é muito importante no sentido de prestar atendimento mais ágil à população que precisa dessa especialidade e se encontra na lista de espera nos postos de saúde. O mutirão terá como diferencial o acolhimento e o atendimento humanizado com foco em resolutividade, que já são as marcas da nossa instituição", afirma.

Os beneficiados do mutirão estavam com os dados cadastrados no sistema de regulação da prefeitura, atitude incentivada pela gerente-geral de Regulação em Saúde, Mônica Vasconcelos. “É muito importante que os usuários mantenham os dados cadastrais atualizados no sistema porque facilita o contato. Além de ligar para cada um, também estamos enviando uma mensagem de texto (SMS) no celular informando os dados da consulta”, explica Mônica.  

Serviço

Mutirão de Ortopedia no Hospital de Santo Amaro

Data: 15 de junho, das 8h às 16h

Endereço: Avenida Cruz Cabugá, nº 1563, Santo Amaro, Recife-PE.

Informações: (81) 3412.3803



*Com informações da assessoria

O Instituto Butantã está promovendo neste domingo (9), em São Paulo, uma série de atividades para marcar o Dia Mundial de Imunização. São atividades interativas, além de palestras, para apresentar a importância e o funcionamento das vacinas.



Também estão sendo oferecidas doses de vacina contra gripe, febre amarela, caxumba, sarampo e rubéola para as pessos que ainda não estão protegidas contra essas doenças.

Um painel luminoso explica o funcionamento das vacinas, mostrando a eficácia da imunização no combate a doenças infecciosas. São apresentados ainda números sobre como as vacinas conseguiram reduzir os casos de diversas doenças ao longo do tempo.

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Atividades lúdicas

A Estação Microscópio apresenta o funcionamento do sistema imunológico e a ação dos vírus e bactérias dentro do organismo em uma estrutura lúdica. Outra instalação mostra como é o funcionamento, por dentro, das células que formam o corpo. Com jogos de tabuleiro, são abordados os microrganismos que causam as doenças e os riscos de contágio.

A produção das vacinas no Instituto Butatã é demonstrada aos visitantes, desde o desenvolvimento até a parte fabril, para atender a larga escala necessária para as campanhas de imunização.

As palestras mostram o papel das vacinas para conter as doenças e procuram combater informações falsas compartilhadas atualmente em redes sociais, como a de que a imunização seria causa de autismo.

O Instituto Butantã é o principal produtor de vacinas do Brasil Foi fundado em 1899 a para combater um surto de peste bubônica que chegava ao país pelo Porto de Santos, no litoral paulista. Dois anos mais tarde, em fevereiro de 1901, o laboratório que produzia o soro contra a peste foi instalado na Fazenda Butantan, na zona oeste da cidade de São Paulo. O primeiro diretor da instituição foi o médico Vital Brazil Mineiro da Campanha, que dá nome a avenida onde está hoje a instituição.

Em um futuro próximo, o esquema de imunização com uma série de vacinas poderá ser substituído por uma ou poucas doses de imunizantes. Esta é a avaliação de Luís Carlos Ferreira, responsável pelo Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas da Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Ele afirma que uma nova geração de vacinas está sendo estudada e que, em cerca de 20 anos, será possível proteger as crianças ao longo de suas vidas com menos doses do que são aplicadas hoje.

Às vésperas do Dia Mundial da Imunização, que será celebrado no próximo domingo, 9, Ferreira foi entrevistado pelo jornal O Estado de S. Paulo e abordou ainda a queda na cobertura vacinal no País, fake news e as estratégias que podem ser adotadas para evitar que doenças que podem ser prevenidas por vacinação voltem a circular.

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"As vacinas garantem, hoje, a milhões de pessoas a chance de viver. Tomar ou não tomar uma vacina é uma garantia para que crianças, adultos e idosos tenham uma chance de sobrevida maior, evitando doenças que, em outros momentos na história da humanidade, levaram milhões de vidas." Veja os principais trechos da entrevista.

Há uma queda na cobertura vacinal no Brasil e em outros países do mundo. Por que está ocorrendo esse processo?

Isso é um fato que está sendo observado não só no Brasil, mas em outros países, justamente pelo sucesso das vacinas. O fato de as vacinas terem eliminado ou reduzido drasticamente alguns tipos de doenças, como a varíola, que foi erradicada e, no passado, matou milhões de pessoas. E mesmo o sarampo, catapora, caxumba, rubéola e outras. Essas doenças, com o advento das vacinas, que foram desenvolvidas no século passado e são muito eficazes, praticamente sumiram ou desapareceram do convívio das famílias. Com isso, (houve) a sensação de uma segurança a ponto de (as pessoas) não se preocuparem mais em usar vacinas, visto que as doenças não eram mais detectáveis. Por outro lado, uma campanha de algumas pessoas e grupos alegando que vacinas poderiam ser prejudiciais à saúde humana. Hoje, isso tudo foi desmentido. O fato de as doenças não estarem circulando mais em nosso meio como no passado e toda uma campanha negativa sobre a vacina fizeram com que a adesão diminuísse. Com isso, estamos vendo o reaparecimento de doenças que, até recentemente, estavam controladas. O exemplo mais recente é o sarampo que, infelizmente, retorna ao Brasil e é um motivo de preocupação para a saúde pública.

O Ministério da Saúde divulgou um levantamento informando que houve queda na cobertura vacinal de crianças com menos de 2 anos. O que tem levado os pais a não manter a carteira de vacinação dos filhos atualizada?

A dificuldade de se manter em dia o calendário vacinal, particularmente para crianças, também é uma consequência do sucesso das vacinas. Hoje, temos cerca de 40 vacinas que já estão disponíveis para utilização em diferentes contextos e em diferentes faixas de idade do indivíduo. Uma parcela delas, incluída no Plano Nacional de Imunizações, é voltada para crianças. Só que o número de vacinas tem aumentado a cada ano. Com isso, o número de idas ao posto de saúde (aumenta) e algumas vacinas são aplicadas em até três doses, o que sobrecarrega esse calendário vacinal e faz com que os pais tenham dificuldade de manter a fidelização desse regime vacinal, que precisa ser seguido. Como enfrentar isso? Com um cadastro nacional digitalizado, que os pais recebessem um aviso, poder chegar mais próximo das crianças e oferecer postos de vacinação nas próprias escolas ou nas creches, mas isso tem um custo a ser considerado. Mas eu, como cientista, e muitos grupos no mundo temos buscado, pelo conhecimento científico, solucionar esse problema. Gerando um conhecimento que nos permita chegar a uma nova vacina, no futuro, que tenha características bem diferentes das atuais. Essa nova vacina tem como intuito reduzir dramaticamente o número de vacinas e de doses que as pessoas precisariam tomar para ficarem protegidas não só contra uma, mas contra várias doenças infecciosas e talvez até doenças degenerativas que afetam crianças, adultos e idosos. Ela não está disponível, está sendo pesquisada em modelos experimentais, mas estimo que, dentro de 20 anos, no máximo, nós teremos soluções científicas e tecnológicas para que todo e qualquer indivíduo possa ser imunizado precocemente e fique protegido pelo resto da vida.

As campanhas estão terminando sem que as metas sejam alcançadas, como ocorreu com a vacina da gripe. O senhor citou as escolas e, na cidade de São Paulo, houve a vacinação fora dos postos de saúde: em estações de metrô e parques. Essa seria uma solução?

Os custos são altos e há uma complexidade. Não é só administrar a vacina. São muitas vacinas e precisa ter o registro, que é individual. Hoje, é tarefa de cada indivíduo ter um controle dessas doses e vacinas que ele toma e raramente a pessoa anda com a carteirinha de imunização no bolso. A dificuldade na logística é séria. Talvez uma ideia, para certos tipos de vacina, como a da meningite, seria que campanhas pudessem ir em escolas e creches. No entanto, a solução definitiva para essa dificuldade deve vir pelo conhecimento científico e a solução tecnológica mais adequada são vacinas administradas em um determinado momento da vida do indivíduo e que confiram uma proteção imunológica de longa duração, de tal maneira que ele não precise tomar muitas vacinas ao longo de sua vida.

Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina laboratorial (SBPC/ML), realizada entre março e abril nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, apontou que 72% dos pacientes com doenças crônicas só descobriram a doença após o aparecimento dos sintomas.

O presidente da SBPC/ML, Wilson Shcolnik, alerta que quando os pacientes apresentam sintomas é sinal que a patologia já está instalada. "A população não está realizando exames clínicos e laboratoriais básicos como forma de prevenção, mas sim de diagnóstico", explica.

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A pesquisa revelou também que a maioria (96%) considera exames laboratoriais importantes para a prevenção, mas só 17% dos pacientes acham que os médicos solicitam mais exames que o necessário. Metade dos entrevistados (51%) acredita que poderia ter procurado ajuda médica com antecedência para evitar a doença ou retardá-la.

Shcolnik ressalta que os testes descartam ou afirmam hipóteses de diagnostico, eles apontam para a necessidade de uma investigação mais detalhada e auxiliam os especialistas com ações que podem evitar a manifestação da doença ou mesmo para diagnósticos precoces, aumentando as chances de tratamento e cura.

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Meliponicultura é o nome dado para a criação de abelhas nativas sem ferrão. Essas abelhas são criadas no meliponário, onde se concentram em uma espécie de caixa e ali produzem o seu próprio mel.

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Os meliponicultores colhem resultados de tecnologias geradas em mais de 20 anos de pesquisa da Embrapa com abelhas sem ferrão. Os pesquisadores promovem cursos sobre sistemas de produção, adaptação de caixas racionais de criação, entre outros. Também se beneficiam com o projeto Agrobio (Abelhas, variedades crioulas e bioativos agroecológicos: conservação e prospecção da biodiversidade, para gerar renda aos agricultores familiares na Amazônia Legal).

Segundo o site da Associação Brasileira de Estudos das Abelhas, o Brasil conta com aproximadamente 250 espécies de abelhas pertencentes à família Meliponini, que são as abelhas-sem-ferrão. Algumas espécies são criadas para produção de mel que tem sido cada vez mais valorizada, além de cumprir um papel muito importante na polinização de plantas cultivadas ou não, permitindo a produção de várias espécies fundamentais para a alimentação humana.

O pesquisador em Sistema Sustentável Daniel Santiago diz que a diversidade vegetal na Amazônia proporciona um maior número de espécie de abelhas. Segundo ele,  acontece uma troca favorável das abelhas com as plantas, que suprem a colmeia com oferta de proteína (polén) e de energia (néctar).

A legislação brasileira, segundo o pesquisador, trava a venda do mel das abelhas sem ferrão ao exigir a desumidificação. As normas existentes no país admitem a produção de uma espécie que é a apis mellífera, conhecida como abelha italiana ou abelha Europa e também chamada de abelha africanizada. Daniel Santiago esclarece que essa é uma abelha mais disseminada no mundo. "Em todo lugar que você for existe alguém que tenha a tecnologia da apicultura. Por conta da grande diversidade de abelha que nós temos, tem uma legislação específica pra cada espécie. E como existe uma grande variação nos requisitos químicos e físicos na legislação, esses produtos (o mel da abelha sem ferrão) ficam marginalizados", disse.

Existem muitos estudos da meliponicultura. Falta, porém, uma conexão maior dos elos, produção, geração de tecnologia, assistência técnica e o mercado. ”O mercado queria um mel. Como chegar nesse mel se o produto não pode ser comercializado como mel? Para isso os agentes de assistência técnica chegaram com a demanda pra Embrapa gerar alguma coisa que pudesse adequar aquele produto deles a uma posição de mercado. Foi desse jeito que a Embrapa, com o uso das tecnologias desenvolvidas no meliponário, conseguiu levar a uma realidade que nós temos hoje", assinalou Daniel Santiago. 

Preservação consciente

Além de ser uma ferramenta de geração de tecnologia, o meliponário é um ambiente dirigido ao público. "Tem a questão do ensino, abertura pra recepção de públicos diversos, desde o ensino básico, técnico, graduação. O objetivo é incentivar pequenos produtores e gerar uma consciência de preservação do meio ambiente nas pessoas um pouco mais jovens”, disse Daniel.

Daniel Santiago afirmou que as abelhas são importantes para a cadeia alimentar por causa da polinização, já que 33% dos vegetais servem de alimento aos animais que alimentam o ser humano. "As abelhas nativas têm uma relação de até 90% de serem os indivíduos que fazem a polinização do vegetal da região amazônica. Além da questão da renda, que fica à margem, a importância delas na polinização é muito maior. No entanto, o produtor necessita de um vislumbre de lucro em curto prazo. Uma contrapartida que a abelha pode deixar para o produtor é o mel", explicou.

Segundo o engenheiro químico e pesquisador Marcos Oliveira, o mel das abelhas nativas tem umidade mais elevada que o mel da apis mellifera. Em laboratório, a desumidificação coloca o mel com umidade de 30% das abelhas nativas em 20%, condizente com a determinação do Ministério da Agricultura. “Eu prefiro o mel natural das nossas abelhas. A Embrapa está junto com outros parceiros lutando pra definir um padrão estadual. Nós já estamos fazendo uma articulação junto à Assembleia Legislativa, com produtores, com empresas que trabalham com mel e já foi submetido um projeto de lei que está definindo o que seria a atividade do meliponicultor e o que seria esse mel do meliponicultor”, argumentou Marcos. O projeto está em vias de ser colocado em votação.

“Assim como definimos um padrão para o açaí, tucupi, esse é o ponto seguinte. A partir desse trabalho nós vamos ter um produto que pode chegar à prateleira do supermercado, ou seja, nós não vamos chegar lá e ter simplesmente um mel da apis mellífera, e aí vamos ver o mel da uruçu-cinzenta (uma das sete espécies de abelha sem ferão) na forma como ele é mesmo, sem ser preciso desumidificar”, explicou o químico.

A importância da Embrapa

Os pesquisadores da Embrapa trabalham no processo de desumidificação junto com parceiros. Hoje, cabe ao Instituto Peabiru e à empresa Cetobel o trabalho de produção, de ir à várzea e de colocar o selo de inspeção federal. Ao obter o selo do SIF, por meio do estabelecimento dos parâmetros físico-químicos, o mel de abelha uruçu, coletado por produtores familiares de cinco municípios paraenses, foi totalmente adquirido pela empresa paraense Fitobel.

O agroindustrial Raimundo Vogado, proprietário da Fitobel, garante que há mercado nacional e internacional para o que chamou de “caviar do mel”, ao se referir ao mel de uruçu. Ele lembra que há anos tentava acessar esse mercado, mas a ausência de uma cadeia organizada no Pará inviabilizava o fornecimento regular de matéria-prima.

“Hoje já dispomos em nossa linha do mel envasado de abelha nativa da Amazônia e estudamos o lançamento de novos produtos, almejando, inclusive, o mercado internacional. O caviar do mel amazônico é admirado e pode ganhar o mundo”, prevê o empresário.

O sonho de prosperidade também é compartilhado pelo produtor familiar Cleiton Oliveira Santos, 34 anos, da comunidade Pingo D’água, município de Curuçá (PA), um dos 102 agricultores familiares responsáveis pela produção histórica de mel de uruçu paraense. Em uma propriedade de cerca de dez hectares, a família produz citros, coco, hortaliças, peixes e, mais recentemente, mel de abelhas sem ferrão. Animado com o potencial, Cleiton conta que vai investir o dinheiro adquirido com a comercialização na reforma e aquisição de caixas, para melhorar o meliponário e aumentar a produção.

A família criava apenas abelhas com ferrão e já conhecia as nativas. A formação do meliponário ganhou corpo após ele participar de um curso de sistema produção realizado pela Embrapa em Belém. Na sequência, ele integrou o projeto Néctar da Amazônia, do Peabiru, com cursos de formação continuada e assistência técnica e hoje, junto a outras três famílias da comunidade, tornou-se referência na região.

Orgulhoso de sua produção, ele fala que as abelhas são importantes não só pelo mel, mas pelo desenvolvimento ambiental e social que proporcionam. “Quem cria abelhas não põe fogo na mata, preserva a floresta, se organiza enquanto comunidade e ainda vê a produção de frutos aumentarem a olho vivo”, garante, referindo-se à produção de seu pomar aumentada pela polinização feita pelas abelhas.

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O Ministério da Saúde recomendou que Estados e municípios estendam a vacinação contra o vírus da gripe para toda a população. A vacinação seguirá enquanto durarem os estoques.

"Mesmo abrindo para a toda população, é fundamental que os grupos prioritários continuem procurando o posto de vacinação", enfatiza Helena Sato, diretora de imunização da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. As vacinas são destinadas a um grupo prioritário, mais suscetível ao agravamento de doenças respiratórias. Pertencem a esse segmento crianças, gestantes, idosos, pacientes crônicos, profissionais de saúde e professores, entre outros.

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Há muitas dúvidas sobre a vacinação e casos de contraindicação. Confira abaixo alguns esclarecimentos sobre a imunização contra o vírus Influenza:

Quem não pode tomar a vacina da gripe?

Hoje, não há contraindicação para a vacina da gripe, porque o imunizante contra o vírus Influenza é uma vacina morta e inativada, afirma Helena. "De modo geral, vacinas que temos contraindicação são vacinas como a do sarampo, que usa partes do vírus vivo."

O Ministério da Saúde afirma que a vacina é contraindicada apenas para crianças menores de seis meses. No caso de pessoas com alergia severa a ovo, é preciso tomar a vacina em ambiente hospitalar com oferta de tratamento de emergência e urgência.

Do que é feita a vacina da gripe?

Ela é composta de fragmentos do vírus Influenza, o vírus que causa a gripe. A vacina possui os vírus H1N1, H3N2 e B.

A vacina da gripe tem um vírus vivo?

Não. A vacina contra o vírus Influenza é feita somente de partes do vírus Influenza. Por sua vez, vacinas contra outras doenças podem conter o vírus vivo, porém atenuado. "A vacina contra o sarampo é um exemplo de vacina com vírus atenuado. Ele não é forte o bastante para causar doença, mas é o suficiente para estimular a resposta imunológica e produzir anticorpos", explica a diretora de imunização.

Por que a vacina da gripe deve ser tomada todo ano?

A vacina da gripe é anual porque é feita sob medida com os principais vírus Influenza que estão em circulação no hemisfério sul naquele ano. "Muitas vezes, a vacina do hemisfério norte é diferente da nossa. Isso porque o inverno ocorre em períodos diferentes do ano", explica Helena.

A vacina pode causar gripe?

Isso é um mito. A vacina da gripe protege contra o vírus Influenza. Já o resfriado, muito comum no inverno, é um quadro leve de tosse e coriza nasal. Ele é causado pelo Rinovírus, que ainda não possui vacina.

"Quem se infecta pelo vírus da gripe, o vírus Influenza, pode evoluir com complicações para pneumonia e internação hospitalar", diz Helena. "E os grupos prioritários têm risco maior de desenvolver as complicações. Por isso, devem se vacinar."

Quem amamenta pode tomar a vacina da gripe?

Sim. A contraindicação para grávidas ocorre apenas no caso de vacinas com o vírus vivo, pois ele pode ser passado de mãe para filho. O mesmo ocorre para mães lactantes. No caso da gripe, porém, isso não ocorre, uma vez que a vacina contém apenas partes do vírus.

Quem toma vacina pode comer ovo?

Não há restrição ao consumo de ovo para quem tomar a vacina da gripe. Até então, as equipes de saúde afirmavam que a alergia a ovo era uma contraindicação à vacina, uma vez que o processo de fabricação da vacina utiliza ovos.

Hoje, no entanto, até mesmo pessoas que apresentaram reação alérgica leve, como urticárias, podem procurar o posto de vacinação. Há casos atípicos de alergia grave, com falta de ar e vômitos. Nesses casos, a pessoa deve tomar a vacina em ambiente hospitalar. "Por isso, é bom avisar à equipe de vacinação se você já teve uma reação alérgica muito forte, e ela tomará as providências."

Quem toma a vacina da gripe pode tomar corticoide?

Não há contraindicação para pessoas que tomam remédios com corticoide.

Quem toma a vacina da gripe pode tomar antibiótico?

Não há contraindicação para pessoas que tomam antibióticos.

Quem toma vacina da gripe pode beber álcool?

Não há contraindicação para pessoas que ingerem bebidas alcoólicas.

Por que não pode tomar a vacina da gripe gripado?

Não há essa contraindicação. A vacina da gripe está liberada.

Quem está no grupo prioritário do governo?

Segundo o Ministério da Saúde, o público-alvo é formado por gestantes, puérperas, crianças entre 6 meses e 6 anos, idosos, indígenas, professores, trabalhadores de saúde, pessoas com comorbidades, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade, além de profissionais de segurança e salvamento.

Em um levantamento concluído na última segunda-feira (3), o Ministério da Saúde avaliou que o público-alvo formado por crianças e gestantes ainda não atingiu a meta de 90% de imunização na Campanha Nacional Contra a Influenza. Até o momento, 76% tomaram a vacina, ou seja, o restante, 3,7 milhões de crianças e 514,5 mil gestantes, ainda não se vacinaram.

A vacina protege contra a gripe e reduz o risco de complicações, internações e mortes relacionadas à doença. O estado de São Paulo é o segundo com a menor taxa de cobertura (73,78%), em primeiro lugar está o Rio de Janeiro com 66,33%.

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Para o reumatologista e responsável técnico do setor de imunização do Cura Previne, Charlles Heldan de Moura Castro, as fake news têm provocado um efeito negativo sobre os programas de vacinação em geral. "A vacina contra a gripe é extremamente segura e está recomendada para pessoas maiores de seis meses de idade. Ela é produzida a partir de vírus da gripe inativado ou de pequenas partículas do vírus inativado. A vacina da gripe não causa a doença. Como qualquer produto com fins médicos, a vacina pode causar alguns efeitos colaterais, os quais são muito leves e transitórios", afirma.

Desde segunda-feira (3), a vacina está disponível para toda a população do país. Porém, os grupos prioritários ainda podem se vacinar até acabarem os estoques das doses. "Todas as estratégias que melhoram a cobertura vacinal nos grupos de risco são importantes para vencer a batalha contra a doença. De forma muito clara, todos os estudos realizados demonstraram que a vacina da gripe é segura, não produz efeitos colaterais graves e reduz de forma significativa o risco de complicações graves da doença", conclui Castro.

Os Auxiliares e Técnicos de Enfermagem da cidade de Paulista, no Grande Recife, irão paralisar as suas atividades a partir desta quinta-feira (6), seguindo até o próximo sábado (8). A mesma categoria de profissionais ligados a prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe, Agreste de Pernambuco, irá entrar em greve a partir do próximo domingo (9), com previsão de normalização apenas no dia 11 de junho.

De acordo com o Sindicato Profissional dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem de Pernambuco (Satenpe), a categoria reivindica melhores condições de trabalho. O sindicato aponta que, no caso de Paulista, das 11 pautas enviadas à prefeitura, apenas três foram respondidas - já o órgão de Santa Cruz do Capibaribe, segundo salienta o Satenpe, não atende as demandas da categoria há 2 anos.

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Em Paulista, “o Satenpe vem negociando com a gestão desde fevereiro desse ano após um ato de mobilização para que reconhecesse o sindicato específico da categoria. Dentro desse contexto, foi construída uma pauta em assembleia e encaminhada ao Governo Municipal. A prefeitura apresentou propostas ao sindicato com três das 11 reivindicações, o que despertou insatisfação dos nossos trabalhadores”, afirma o presidente do sindicato, Francis Herbert.

Resposta Paulista

A Secretaria de Administração esclarece que abriu a mesa de negociação nesta quarta-feira (5), com representantes dos profissionais para avaliar a pauta de reivindicação. Uma comissão será criada na própria secretaria de ADM para discutir o Estatuto da categoria. Em paralelo será feito um estudo de impacto financeiro.

O ser humano ingere e respira dezenas de milhares de partículas de plástico a cada ano - revela uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (5).

Estes microplásticos procedentes da degradação de produtos diversos, como roupas sintéticas, pneus e lentes de contato, são encontrados nas superfícies aquáticas do planeta, desde as maiores geleiras até o fundo dos oceanos.

Pesquisadores canadenses cruzaram centenas de dados sobre essa contaminação com a dieta e os modos de consumo dos americanos.

Resultado dessas estimativas: um homem adulto ingere uma média de 52.000 micropartículas plásticas por ano. Se adicionarmos as partículas que estão no ar, o número aumenta para 121.000.

Os autores do estudo publicado na revista Environmental Science and Technology salientaram que os dados variam muito dependendo de onde as pessoas vivem e o que comem.

O impacto na saúde humana ainda precisa ser determinado, de acordo com os pesquisadores. As partículas mais finas "podem potencialmente atingir os tecidos humanos (e) gerar uma resposta imune localizada", acrescentam.

Para Alaistair Grant, professor de Ecologia da Universidade de East Anglia, que não esteve envolvido no estudo, nada prova que as partículas de plástico representam um "perigo significativo para a saúde humana".

Segundo Grant, é provável que apenas uma pequena parte dos elementos inalados atinja os pulmões.

Os autores defendem o fortalecimento da pesquisa sobre a quantidade de matéria que chega aos pulmões e ao estômago e seus efeitos sobre a saúde.

Enquanto isso, "a maneira mais eficaz de reduzir o consumo humano de microplásticos é, sem dúvida, reduzir a produção e o recurso" a esse material, acrescentam eles.

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acolheu, por decisão unânime, o recurso de um plano de saúde que questionava a obrigatoriedade de cobertura de procedimento de inseminação artificial, por meio da técnica de fertilização in vitro, solicitada por uma cliente. A informação foi publicada nesta segunda-feira, 3, pela Corte.

Segundo o STJ, o Tribunal de Justiça de São Paulo havia considerado abusiva a cláusula contratual que exclui a fertilização in vitro como técnica de planejamento familiar.

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Os ministros da Terceira Turma, no entanto, decidiram que a técnica consiste em um procedimento artificial expressamente excluído do plano de assistência à saúde, conforme fixado pelo artigo 10, inciso III, da Lei 9.656/1998 (Lei dos Planos de Saúde) e pela Resolução 387/2015 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), vigente à época dos fatos.

A Corte relatou que "a paciente apresentava quadro clínico que a impedia de ter uma gravidez espontânea". Por isso, pediu judicialmente que o plano de saúde custeasse a fertilização in vitro.

A operadora recorreu ao STJ do acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo que manteve a sentença de procedência do pedido de custeio do tratamento pelo plano.

Procedimentos autorizados

A relatora do recurso especial, ministra Nancy Andrighi, apontou que, "quando a paciente ingressou com a ação, em 2016, estava em vigor a Resolução 387/2015 da ANS".

De acordo com o normativo, que interpretou a Lei dos Planos de Saúde, entende-se como planejamento familiar o conjunto de ações de regulação da fecundidade que garanta direitos iguais de constituição, limitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem ou pelo casal.

A ministra destacou que a própria resolução permite excluir da assistência à saúde a inseminação artificial, autorizando, por outro lado, outros 150 procedimentos relacionados ao planejamento familiar.

Nancy ressaltou que os consumidores têm assegurado o acesso a métodos e técnicas para a concepção e a contracepção, o acompanhamento de profissional habilitado e a realização de exames clínicos, entre outros procedimentos.

"Não há, portanto, qualquer abusividade ou nulidade a ser declarada, mantendo-se hígida a relação de consumo entre a recorrida e a operadora de plano de saúde, que, inclusive, pode se socorrer dos tratamentos vinculados ao planejamento familiar conforme a técnica médica recomendável", anotou a ministra ao acolher o recurso da operadora.

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A exposição “Da Ação à Palavra”, da Organização Internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), abriu as portas em Belém. A mostra apresenta 15 fotografias da atuação da MSF desde a origem, na guerra de Biafra (conflito separatista na Nigéria, no fim dos anos 60, que provocou um milhão de mortes), até as crises atuais no Iêmen e no Mediterrâneo. A exposição está no Teatro Estação Gasômetro e vai até 25 deste mês, sempre de terça-feira a domingo, das 9 às 18 horas.

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Além da exposição, o MSF abriu um calendário de atividades na capital, em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado do Pará (Secult) e a Cargosoft. A mostra clareia crises esquecidas e realidades em que a ajuda humanitária é a única forma de populações terem acesso a cuidados de saúde. “Falar sobre isso é uma missão do MSF, porque o silêncio diante dessas situações pode significar a morte de milhares de pessoas. Muitas vezes é preciso falar sobre as crises esquecidas e negligenciadas para atrair mais ajuda a essas pessoas”, disse Diogo Galvão, coordenador de eventos de MSF.

Segundo Diogo, a proposta do MSF é, além de salvar vidas e aliviar o sofrimento da população, dar voz e divulgar abusos. “Na nossa essência está a comunicação. A gente desenvolve diversas iniciativas nessa área, entre elas atividades como exposições. A proposta é trazer a comunicação sobre as principais crises humanitárias em que a gente atuou. Belém esteve na nossa rota. A gente faz esse tipo de atividade pelo país todo. Identificamos que seria muito interessante essa parceria com a cidade, com a Secretaria da Cultura, receber a exposição”, explicou o coordenador.

No mesmo dia da abertura da exposição (31), o MSF promoveu uma sessão de cinema com o filme “Fogo nas Veias”, de Dylan Mohan Gray, no auditório do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa). Após o filme houve debate sobre o documentário. “Ele fala (o filme) da luta do médico sem fronteira para tornar os medicamentos contra HIV disponíveis para uma população altamente vulnerável. A gente percebe que durante muitos anos o HIV só podia ser tratado por pessoas que podiam pagar pelo remédio e existia uma grande dúvida em relação à necessidade e à possibilidade de as pessoas mais pobres terem acesso ao tratamento”, explicou Rafael Sacramento, médico infectologista que trabalhou enfrentando o HIV em Moçambique, com os médicos sem fronteiras, e debatedor.

Segundo Rafael, o bom resultado da atuação do MSF, que começou em 1996, é fruto da luta pela quebra de patente para tornar os medicamentos disponíveis para as pessoas que não podiam pagar. “O que a gente vive hoje, as pessoas vivendo com HIV, a gente considerar o HIV uma doença crônica, é tudo fruto disso, e esse filme retrata o processo histórico que a gente precisou enfrentar, lutando contra o monopólio das indústrias farmacêuticas, lutando contra essa visão da doença da pessoa como lucro”, afirmou o médico.

Rafael explica que o Médicos sem Fronteiras continua na luta com a campanha de acesso aos medicamentos. “A gente sabe que existe um comércio dos medicamentos. Os medicamentos vão para as prateleiras das farmácias custando muito mais do que o necessário para produzi-los”, disse.

O MSF é uma organização humanitária internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por graves crises humanitárias. Existe deste 1971, quando foi criada por jovens médicos e jornalistas, na França. Os criadores da MSF atuaram como voluntários no fim dos anos 60 em Biafra, na Nigéria, onde perceberam as limitações da ajuda humanitária internacional.

A organização associa ajuda médica e sensibilização do público sobre o sofrimento de seus pacientes, para dar visibilidade a realidades que precisam de atenção e mudança emergencial. Em 1999, o MSF recebeu o prêmio Nobel da Paz e está presente em mais de 70 países. Conta com mais de 45 mil profissionais de diversas áreas e nacionalidades e 96% de seu financiamento vêm de doações de indivíduos e da iniciativa privada.

Profissionais de jornalismo e estudantes de comunicação também participaram do seminário “Comunicando Crises Humanitárias – Como cobrir conflitos armados, desastres naturais e epidemias”, na manhã de sábado (1), no Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa). “O seminário mostrou o trabalho de produção de conteúdo de MSF nesses contextos, falou do tipo de comunicação e cuidados com as mensagens sobre essas populações mais vulneráveis, além de trazer ao público depoimentos em vídeo de profissionais de imprensa que estiveram em campo realizando a cobertura de algumas crises humanitárias”, explicou o coordenador de Imprensa de MSF, Paulo Braga.

O seminário contou ainda com a sessão “Talk-Show com MSF”, que foi conduzido por Renata Ferreira, jornalista e professora da UNAMA - Universidade da Amazônia, e teve como entrevistados Rafael Sacramento, o médico infectologista, e Junia Cajazeiro, pediatra. Ambos são profissionais de MSF e atuaram em projetos da organização na África, Oriente Médio e Ásia.

Quem tiver interesse m conhecer mais sobre a Organização, basta acessar o site https://www.msf.org.br/

Serviço

 Exposição "Da Ação á Palavra".

Local: Teatro Estação Gasômetro – Avenida Magalhães Barata, 830 - São Brás, Belém. Data: de 31/05 (sexta-feira) a 25/06 (terça-feira). Horário: Terça a domingo, das 9h às 18h (horários podem variar conforme agenda de atividades do teatro). Entrada: gratuita.

 

Clientes de planos de saúde de todas as modalidades podem migrar para outros convênios ou operadoras sem precisar cumprir novos prazos de carência, a partir desta segunda-feira, 3. As novas regras foram aprovadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em dezembro de 2018.

A troca de plano de saúde só era permitida para beneficiários de planos individuais, familiares e coletivos por adesão. Com a nova norma, clientes de convênios coletivos empresariais também podem realizar a mudança.

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Para realizar a portabilidade de carências, o cliente deve consultar os planos compatíveis, por meio do Guia ANS de Planos de Saúde, com o atual. As novas regras permitem aumentar a cobertura do plano, mas mantêm a exigência de compatibilidade de preço na maior parte dos casos.

A ANS preparou também uma cartilha com informações importantes sobre o tema, para orientar os consumidores sobre esclarecimentos de prazos e critérios para realização da portabilidade, como a compatibilidade entre planos, documentos exigidos e o acesso ao Guia ANS.

Como era e como ficou

Antes das novas normas aprovadas pela ANS, apenas beneficiários de planos individuais, familiares e coletivos por adesão poderiam fazer a portabilidade. Pelas novas regras, beneficiários de todas as modalidades de contratação (individuais, familiares, coletivos e coletivos empresariais) poderão trocar de planos de saúde.

Anteriormente, o período limite para efetuar a troca só poderia ocorrer nos quatro meses contados a partir do aniversário do contrato. A partir das novas normas, não há mais a janela, ou seja a portabilidade pode ser feita a qualquer tempo, desde que cumpridos os prazos mínimos de permanência no plano.

Na compatibilidade de cobertura, o beneficiário só poderia mudar para um plano com as mesmas coberturas do plano de origem. Com as novas regras, é permitido mudar para um plano com tipo de cobertura maior que o de origem, cumprindo apenas carência para as novas coberturas.

Para solicitar a troca de operadora, o beneficiário tinha que imprimir o relatório de compatibilidade da operadora. Pela nova regra, o protocolo é enviado de forma eletrônica através do novo Guia ANS de Planos de Saúde.

A partir desta segunda-feira (3), toda a população pode se vacinar contra a gripe, inclusive quem faz parte do público prioritário e que ainda não se vacinou. De acordo com o Ministério da Saúde, a vacinação vai continuar enquanto durarem os estoques da vacina.

Até a última sexta-feira (31), quando terminou a campanha nacional, quase 80% do público prioritário foi vacinado, o que representa 47,5 milhões de pessoas. Os grupos prioritários tiveram entre os dias 10 de abril e 31 de maio para se vacinar com exclusividade.

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Durante esse período, foram priorizados 59,4 milhões de pessoas, entre elas, gestantes, puérperas, crianças entre 6 meses a menores de 6 anos, idosos, indígenas, professores, trabalhadores de saúde, pessoas com comorbidades, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade, além de profissionais de segurança e salvamento.

Até agora, seis estados já bateram a meta de 90%: Amazonas (98,5%), Amapá (98,5%), Pernambuco (93,6%), Espírito Santo (91,3%), Rondônia (90,4%) e Maranhão (90%). Os estados com menor cobertura são: Rio de Janeiro (63,7%), Acre (73%) e São Paulo (73,1%).

Segundo o ministério, a escolha do público prioritário no Brasil segue recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) por serem grupos mais suscetíveis ao agravamento de doenças respiratórias. A vacina é a forma mais eficaz de evitar a doença.

Em tempos de pais e mães superprotetores, pesquisas têm mostrado que o desenvolvimento das crianças é muito melhor quando elas se expõem a riscos. Não se trata de deixar o filho se pendurar na janela ou atravessar a rua sozinho. Mas encorajar a vontade dos pequenos de escalar brinquedos altos, subir em árvores e descer de cabeça para baixo no escorregador ajuda a formar pessoas seguras, com mais resiliência, habilidades sociais e até com melhor aprendizado. Estudos internacionais passaram, inclusive, a recomendar a construção de parquinhos "mais perigosos".

Especialistas discordam de ambientes com pisos acolchoados, brinquedos só de plástico, pontas protegidas, piscinas de bolinhas. E recomendam, por outro lado, que áreas de playgrounds e de pátios escolares tenham areia, toras, pedras, pneus. Os brinquedos devem ser construídos em madeira, altos suficientes para impor desafios, com escadas, rampas e pontes elevadas para estimular o equilíbrio.

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As descrições acima, no entanto, apavoram a maioria dos pais. O grande temor é que as crianças se machuquem. Mas uma grande pesquisa feita no Canadá, que analisou 21 estudos sobre o assunto, concluiu que não há relação entre aumento de quedas e machucados e altura dos brinquedos. E que crianças que se arriscam mais, na verdade, se machucam menos. Elas acabam desenvolvendo habilidades físicas e compreendendo seus limites. "Hoje se entende que cuidar bem é super proteger, mas na verdade os pais estão tirando a oportunidade dos filhos se desenvolverem", diz Laís Fleury, coordenadora do programa Criança e Natureza do Instituto Alana.

"Que mensagem estão passando às crianças ao dizer ‘pare’ ou ‘cuidado’? De que elas não são capazes de se cuidar, de tomar decisões e que o mundo é mundo perigoso para elas", disse ao jornal O Estado de São Paulo a pesquisadora Mariana Brussoni, da Universidade de British Columbia, autora do estudo. Segundo ela, os pais precisam aprender a lidar com a própria ansiedade e insegurança para saber avaliar o que é um perigo real.

"Eu sempre sugiro que contem até 17 quando quiserem dizer ‘pare’. Em geral é tempo suficiente para a criança brincar e o pai perceber se realmente deveria ter interferido." A pesquisa concluiu que há mais efeitos positivos à saúde das crianças ao participar de brincadeiras que envolvem risco do que ao evitá-las. Melhora a criatividade, a resiliência e a interação social - e não aumenta agressividade.

O estudo é um dos que endossam um documento mundial elaborado pela Internacional School Grounds Alliance. Por meio dele, a organização, presente em 16 países, pede que pais e educadores incentivem políticas para que os pátios das escolas tenham atividades "com níveis benéficos de risco". "O mundo é cheio de riscos, as crianças precisam aprender a reconhecê-los e responder a eles se protegendo e desenvolvendo sua própria capacidade de avaliá-los", diz o manifesto.

Na Nova Zelândia, uma outra pesquisa incentivou que oito escolas deixassem os parquinhos "mais perigosos" e acabassem com regras como a de não poder brincar na chuva, por exemplo. Elas foram comparadas com outras que não mudaram nada. Depois de dois anos, os alunos das escolas com intervenções se diziam mais felizes, brincavam com mais colegas e tiveram menos problemas com bullying. "Crianças precisam ir experimentando um pouco de risco de acordo com a idade. Ou, no futuro, podem tomar decisões terríveis quando estiverem no controle das suas vidas, diante de bebidas alcoólicas ou dirigindo um carro", afirmou ao jornal uma das responsáveis pela pesquisa, a professora Rachael Taylor, da Universidade de Otago.

Liberdade. Na semana passada, Amelie, de 4 anos, experimentava vários jeitos e, enfim, conseguiu empilhar cubos, caixa e baldinhos para fazer as vezes de um banco. Ela e as amigas subiram na estrutura nada estável para olhar do outro lado do muro da escola onde estuda no Pacaembu, a Jacarandá. Os três professores que estavam no pátio não interferiram e um deles apenas ficou numa distância em que pudesse ajudá-las numa eventual queda. Na escola, até bebês engatinham no chão de pedra e, aos 3 anos, todos já podem subir nos brinquedos altos.

"As crianças vão se adaptando e organizando o movimento no ambiente em que elas estão. O corpo é a base do desenvolvimento psíquico, emocional e cognitivo, é assim que elas aprendem", explica a coordenadora pedagógica da escola, Vitória Reges Gabay de Sá. "Os pequenos machucados também são aprendizagem. Não é que vamos provocar machucados nem frustrações, mas a vida é assim."

Na Escola Grão de Chão, na Água Branca, as crianças fazem fogueira, são livres para subir nas árvores e brincam em instalações feitas com pneus, pedras e tocos de madeira. Nas aulas de artes, com ajuda dos adultos, alunos de no máximo 6 anos usam serrotes e martelos. "Nossa preocupação é com a criança que não quer desafio, que só quer ficar quietinha desenhando ou com um brinquedo", diz a diretora Lucília Franzini.

Para os pais, há a angústia de descobrir o equilíbrio entre proteger e incentivar os desafios. "Eu não quero que ele chore, se machuque, mas sei que se devolve ao se expor aos riscos. Então fico o tempo todo me questionando até onde posso deixar ele ir", diz a publicitária Tatiana Tsukamoto, de 35 anos, mãe de Max, de 8 meses. "Eu já cogitei mandar meu filho com capacete para a escola por causa de um brinquedo alto", conta a dentista Ana Elise Valente, de 43 anos, mãe de Gabriel e Miguel. Hoje ela diz perceber o absurdo da ideia.

"Sempre temos que explicar para os pais que não dá para arredondar todas as quinas do mundo", diz a diretora da Escola Projeto Vida, Monica Padroni, que fica em um sítio na zona norte com casa na árvore e escorregadores enormes. A enfermeira Aline Marques, de 29 anos, conta que o filho de 3 precisou de terapia e fonoaudiologia para começar a falar por causa da proteção exagerada. "Nem em areia eu deixava ele brincar e, por isso, não se desenvolveu." Depois que a mãe mudou a atitude, diz, ele se tornou outra criança.

Natureza ajuda na exposição a riscos

Uma boa maneira de expor as crianças a riscos benéficos, segundo especialistas, é deixá-las brincar na natureza. A Sociedade Brasileira de Pediatria passou a recomendar que crianças tenham "acesso diário, no mínimo por uma hora" a ambientes como parques, praças e praias para "se desenvolver com plena saúde física, mental, emocional e social".

O manual, elaborado com apoio do Instituto Alana, também pede a pais e escolas que permitam que as crianças se engajem em atividades com riscos. "O desafio é intrínseco à natureza, o terreno não é nivelado, têm várias diferenças de altura, de textura", diz a coordenadora do programa Criança e Natureza do Alana, Laís Fleury. O documento tem a intenção de combater a exposição excessiva a telas e o confinamento das crianças, que só brincam em espaços fechados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Assim como a Previdência, o sistema de saúde brasileiro também pode entrar em colapso se o País não se planejar para o envelhecimento da população. Segundo o médico argentino Rubén Torres, reitor da Universidade ISalud da Argentina e ex-consultor da Organização Panamericana de Saúde (Opas), o fenômeno assusta porque está ocorrendo de forma muito mais rápida nos países da América Latina.

Mas esse não é o único problema a ser enfrentado pelos governos da região. "Há uma grande ameaça que são as doenças mentais, que vão constituir, até 2050, provavelmente um dos três maiores grupos de enfermidade na nossa região. A demência, como Alzheimer, vai colocar em xeque os sistemas de saúde", declarou Torres ao jornal O Estado de São Paulo, após participar de um curso para jornalistas em Cartagena, na Colômbia.

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Qual é a diferença entre a transição demográfica que vivemos na América Latina da observada na Europa anos atrás?

A questão está na velocidade do processo. Na França, por exemplo, ele durou 115 anos. Quando falo em processo de transição, quero dizer o tempo que demorou para que a população maior de 60 anos dobrasse. Na maioria dos países europeus, se passaram mais de 80 anos. Na América Latina, esse processo está acontecendo com maior velocidade. Nos casos de Colômbia, Brasil, Chile, esses processos vão oscilar entre 20 e 30 anos. E isso abre dois desafios: um nos sistemas previdenciários e outro nos sistemas de saúde. Por isso eu faço a alusão de que os países europeus tiveram a possibilidade de crescer e se fortalecer economicamente e foram antes ricos e depois velhos. Já os nossos países, pelas dificuldades e a velocidade de crescimento econômico, muito provavelmente vão terminar a transição demográfica sendo velhos antes de tornarem-se ricos. E isso é um grande desafio.

Temos atualmente no Brasil o debate sobre a necessidade da reforma da Previdência. Mas não vemos o mesmo nível de discussão sobre as mudanças necessárias no sistema de saúde...

Essa situação de dar mais importância à Previdência do que aos problemas sanitários é bastante comum em nossos países, onde a saúde não está tanto na agenda política. Como a Previdência tem um impacto forte no gasto público, isso põe em alerta os países.

Quais serão os principais impactos que teremos nos sistemas de saúde com o envelhecimento da população?

Hoje são as doenças cardiovasculares e o câncer. Mas há uma grande ameaça que são as doenças mentais, que vão constituir, até 2050, provavelmente um dos três maiores grupos de enfermidades na nossa região. A demência, como Alzheimer, vai colocar em xeque os sistemas. E digo que vão pôr em xeque porque a maioria dos sistemas de saúde tem dado muito pouca importância ao tema da saúde mental. Foi sempre um tema muito marginal. A preparação é muito importante.

Como deve ser a preparação?

Primeiro, temos de mudar o modelo de atenção. Nós temos um modelo de atenção dirigido a uma população que tinha doenças agudas, que requeriam internações. O futuro é de cuidados permanentes e de acompanhamento dos pacientes. Isso vai implicar em instalações diferentes, um médico preparado de maneira diferente e um sistema diferente.

E o que podemos fazer desde agora para minimizar o impacto?

Avançar na implantação da atenção primária, gerar cuidados contínuos e aumentar fortemente a prevenção de riscos, que esquecemos por muito tempo. A maioria das doenças que hoje afeta em volume a América Latina pode ser prevenida. Muitos tipos de câncer poderiam ser evitados com controle do consumo do tabaco, álcool, gorduras trans, açúcar, que também são fator de risco para as doenças cardiovasculares. A prevenção tem um papel muito decisivo e temos uma dívida na maioria dos países.

 

QUEM É

Rubén Torres é reitor da Universidade ISalud da Argentina. Médico cirurgião, especialista em Gestão de Políticas Sociais e mestre em Sociologia, já atuou como consultor da Organização Panamericana de Saúde (Opas). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Sociedade Brasileira de Hansenologia aponta que não existia nenhum embasamento científico para o isolamento no intuito de controlar a transmissão da doença. Sabia-se apenas que o contágio era feito de indivíduo doente para indivíduo sadio. Porém, os meios de transmissão ainda não estavam totalmente claros.

Atualmente, os casos ainda são muitos. Em 2016, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 143 países reportaram 214.783 casos novos de hanseníase, o que representa uma taxa de detecção de 2,9 casos por 100 mil habitantes. No Brasil, no mesmo ano, foram notificados 25.218 casos novos, uma taxa de detecção de 12,2 a cada 100 mil habitantes. Esses parâmetros classificam o país como de alta carga para a doença, sendo o segundo com o maior número de casos novos registrados no mundo. O Morhan aponta que uma das maiores dificuldades para essa diminuição é o preconceito, ainda muito latente.

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Segundo Erving Goffman, pesquisador autor de "Notas sobre a Manipulação da Identidade Deteriorada" (1988), cada sociedade estabelece para seus membros os atributos que ela considera como comuns, aceitáveis. O autor complementa que as relações sociais são mediadas por esses atributos e quando somos apresentados a alguém, a pessoa é avaliada segundo tais códigos sociais e categorias específicas.

Quando esse "estranho" não corresponde aos padrões e códigos, logo é enquadrado numa categoria rebaixada, sendo classificado como inferior. Goffman relaciona três tipos de estigma. Em primeiro lugar, as chamadas ‘abominações do corpo’ – relativo às várias deformidades físicas. Em segundo, as culpas ou distúrbios de caráter mental. E, finalmente, os estigmas de raça, nação, religião.

A ‘lepra’ se enquadraria no primeiro tipo de estigma. Mesmo nem todos os doentes apresentarem sintomas aparentes da doença (lesões físicas). Mesmo assim, o passado histórico e sua referência bíblica a caracterizam como uma ‘abominação do corpo’.

Os olhares da sociedade distanciavam cada vez mais os internos de uma realidade próxima a normalidade. Ao mesmo tempo em que essas práticas de exclusão iam sendo impostas, táticas de resistência eram inventadas cotidianamente por esses doentes para escaparem dessa rede de exclusão. Muitos não aguentavam a vida dentro do hospital-colônia e fugiam.

Thiago Flores, diretor do Morhan, alega que tudo não passou de uma crime de estado, além da dor e sofrimento. "O brasil desde 1968 não poderia mais seprar compulsoriamente pessoas com hanseniase e nem isolar os seus filhos. Mas ao contrário da lei, até o ano de 1986 as pessoas com hanseníase eram obrigadas a viverem isoladas nas colônias do país", denunciou.

Frei Guido, o homem mais respeitado da Mirueira

Quadro do Frei Guido pendurado na sede do Centro Social da Mirueira. Foto: Rafael Bandeira/LeiaJáImagens

O religioso franciscano Frei Guido Fiekers contriu a hanseníase quando participava de uma caravana missionário no norte do Brasil. Ele decidiu se tratar e logo foi transferido para a então Colônia da Mirueira. Passou a morar na Vila dos Casados do hospital. O Franciscano encontrou uma realidade desafiadora, um ambiente de pobreza, cenário de grandes dramas sociais.

O alemão deu início a uma ação pastoral interna. Realizava celebrações na própria residência, catequizava e ajudava na alimentação de alguns carentes. Ele optou por permanecer na Colônia mesmo depois de sua liberação hospitalar. Em 1967, é nomeado Capelão do Sanatório Padre Antônio Manoel, passa a morar junto ao pórtico principal do hospital, próximo a igreja, numa pequena casa, depois reformada e designada Residência do Capelão. Reformou a entrada da igreja, com intuito de facilitar aos doentes com sequelas motoras, o acesso aos atos religiosos ali celebrados.

Frei Guido também foi responsável por ajudar os pais a localizar os filhos afastados. Muitas vezes doava terrenos para que as famílias pudessem buscar as crianças e começar uma nova vida. Fundou uma escola no bairro da Mirueira porque os filhos dos internos não podiam estudar nos colégios tradicionais por causa do preconceito. Havia, naquele tempo, medo de contágio e isso causava uma forte discriminação e rejeição aos que de alguma forma eram atingidos pela doença.

Frei Guido criou em março de 1970 a Escola Centro Social da Mirueira, que oferecia material didático, fardamento e merenda a seus alunos. Em 31 de maio de 1980, Frei Guido vem a falecer de infarto em sua residência, dentro do Hospital da Mirueira. Dois anos depois, a Escola fundada por ele, recebe o nome de Grupo Escolar Frei Guido.

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Não há respeito nem a memória dos enterrados no cemitério do hospital Atualmente o Hospital Geral da Mirueira, apesar de ainda ser considerado referência no atendimento à hanseníase, também realiza o tratamento para recuperação do alcoolismo.

O enfermeiro Randal Medeiros, coordenador do Morhan Recife. Foto: Rafael Bandeira/LeiaJáImagens

Para Randal Medeiros, coordenador do Morhan, o tratamento para os hansenianos deixa a desejar. Ele aponta que o centro médico não disponibiliza as melhores condições para os pacientes.

"Não há ambulatório estruturado, o local de internação é precário e pode perceber que as alas de hanseníase ficam bem no fim do hospital. Eles agoram atuam na questão do álcool porque é o que dá mais dinheiro. A gente percebe que há um abandono por lá, o mato muito grande e parece que a história vai se apagando aos poucos", destaca Randal.

No cemitério, onde as memórias deveriam ser preservadas com dignidade, o cenário de abandono é visível. Lápides com muitas pixações, sem os devidos nomes dos que já partiram. O mato tomou conta do local que parece não passar por uma obra de preservação há anos. O local do velório não existe mais.

Apesar do abandono, os pacientes que restaram fazem questão de serem enterrados lá. Querem descansar ao lado de seus companheiros de vida. A gestão do hospital coloca a culpa no município e vice-versa. Não bastasse o sofrimento cometido contra essas pessoas em vida, a morte também parece ser uma dificuldade.

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Clique nas fotografias abaixo para ter acesso às reportagens:



"O passado presente presente e a dor do afastamento pela hanseníase"

"Helena Bueno, afastada de seus pais no dia do nascimento"

"Achei que nunca mais ia rever meus filhos", assume mãe





"Maus-tratos e abusos eram práticas comuns no orfanato"



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