PCC agendava coleta de dinheiro por app, diz polícia

O criminoso incumbido da coleta, conhecido como Motoboy ou Pablo, foi um dos alvos da Operação Welfare (Bem Estar)

qui, 04/07/2019 - 09:20

Integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) usavam contas bancários de novos membros para movimentar ao menos R$ 280 mil por mês provenientes do tráfico de drogas, segundo a Polícia Civil de São Paulo.

Os correntistas eram acionados por um líder da quadrilha usando um aplicativo de celular para obter as senhas e fazer a coleta dos valores monetários depositados nas contas desses "laranjas". A polícia suspeita que o esquema operava desde 2013, podendo ter movimentado mais de R$ 15 milhões.

O criminoso incumbido da coleta, conhecido como Motoboy ou Pablo, foi um dos alvos da Operação Welfare (Bem Estar) nesta quarta-feira, 3, que resultou no cumprimento de 35 mandados de prisão e 46 mandados de busca e apreensão, além de 16 buscas administrativas dentro de celas de presídios do Estado. Outros três mandados de prisão ainda serão cumpridos.

Conforme o delegado José Carlos de Oliveira Junior, do Departamento de Polícia Judiciária de Presidente Prudente (SP), onde as investigações tiveram início, o Motoboy agendava pelo aplicativo data, hora e endereço para fazer a coleta do dinheiro. "Às vezes, ele fazia contato telefônico, mas sempre de forma resumida, tentando evitar suspeitas por parte da polícia em caso de interceptação telefônica", disse.

Quando o valor a ser retirado excedia o limite de saque, o dono da conta ia ao caixa acompanhado pelo "coletor". O criminoso, cuja identidade não foi revelada, é considerado membro importante na hierarquia do PCC. Entre as prisões decretadas estão as de 13 detentos que já estão no sistema prisional.

No interior das unidades, eles formavam células que cooptavam parentes e visitantes dos detentos para integrar o esquema em troca de favores e ajuda financeira. Conforme o delegado, a "sintonia da ajuda", como são conhecidos os integrantes, ofereciam transporte para parentes dos presos, pagamento de aluguel, despesas médicas e odontológicas, e até a quitação de pequenas dívidas. Em troca, os cooptados, na maioria mulheres, cediam suas contas bancárias para depósitos e transferência do dinheiro da droga.

As investigações duraram seis meses. Os envolvidos vão responder por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Eles também tiveram os cadastros de pessoa física bloqueados no sistema bancário. Os materiais apreendidos ainda serão analisados e podem resultar em novas prisões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

COMENTÁRIOS dos leitores