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Começa na próxima quarta (11), em Olinda, a I Feira Literária do Litoral Norte. Realizado pela Associação do Nordeste das Distribuidoras e Editoras de Livros (Andelivros), o evento vai homenagear o poeta João Cavalcanti Ribeiro, reunindo expositores e promovendo palestras e lançamentos, na Praça do Carmo, até o dia 15 de dezembro. 

A feira contará com mais de 50 estandes de livros, além de palestras e lançamentos de novos títulos. Entre os convidados, estarão nomes como  a jornalista Carol Barcellos, o poeta Jessier Quirino e o cantor Maciel Melo. Haverá, também, apresentações culturais durante os cinco dias de programação.

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Serviço

I Feira Literária do Litoral Norte

Quarta (11) a domingo (15) - 9 às 21h

Praça do Carmo - Olinda

Gratuito

 

Há quem use a internet para fazer pesquisas.

Há quem gaste o pacote de dados para pedir comida.

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Há quem se conecte tentando suprir a correria do dia a dia.

E há quem se loga para se curar com poesia.

A poesia, esse gênero textual que combina palavras, significados e rimas, também está surfando a onda da web e já conta com um novo subgênero, a poesia digital. Trata-se de textos que se valem de formas gráficas, imagens, grafismos, sons, elementos animados e, claro, hipertexto. O número de poetas digitais, que usam as plataformas online para escoar sua produção, também vem aumentando a cada dia. Confira essa lista com a indicação de alguns autores e se conecte com essa poesia. 

Hugo Novaes

O poeta alagoano começou sua incursão pela internet em 2017 e hoje acumula milhares de fãs. Pelo Instagram e pelo YouTube, com os perfis 1tema1minuto1poema, ele compartilha sua obra em pequenos vídeos acompanhados pela transcrição da poesia. 

Fabio Gomes

O jornalista, cineasta e fotógrafo Fabio Gomes também é um dos que levaram sua produção poética ao meio digital. Em seu blog oficial, a seção Rapidola é atualizada, semanalmente, com seus poemas. Fabio também reserva um momento para resgatar alguns clássicos da poesia nacional. 

Lilian Cardoso

Como o nome do perfil bem o diz, as poesias de Lilian Cardoso são escritas em papel de pão. Ela compartilha suas poesias com mais de 30 mil seguidores., no @numpapeldepao.

Daniel Daarte

Poeta, desenhista e médico, Daniel Daarte também usa o Instagram como ferramenta de veiculação da sua arte. As poesias do escritor são compartilhadas no perifl @da.arte, que já conta com mais de meio milhão de seguidores. 

Bárbara Marca

Bárbara Marca reúne mais de 50 mil seguidores no perfil @babiemversos. Ela também costuma compartilhar seus escritos em um perfil no Twitter. 

Clarice Freire

Além de ter dois livros publicados, a escritora Clarice Freire também faz uso do meio digital para compartilhar sua poesia. No perfil @podelua, ela faz suas publicações e compartilha os escritos com os seguidores. 

 

No momento em que grupos conservadores civis e políticos tentam difamar Paulo Freire e tirar dele o título de Patrono da Educação Brasileira, a Editora Paz & Terra dá continuidade ao projeto de relançar a obra do autor em novo projeto gráfico.

Os livros da vez são “À sombra dessa mangueira” e “Educação como prática da liberdade” que tratam da educação libertadora defendida pelo autor, capaz de despertar a consciência crítica e política de dos indivíduos. Freire, que figurou entre os mais vendidos do Grupo Editorial Record na Bienal do Rio em 2019, mostra-se cada vez mais atual.

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Neste novo projeto gráfico, já foram lançados títulos como “Pedagogia da autonomia”, “Pedagogia do oprimido” e a coletânea inédita “Direitos humanos e educação libertadora”, que inaugurou a coleção.

O livro ‘Educação como prática da liberdade’ foi escrito em 1967, durante o exílio forçado de Paulo Freire no Chile. Tem como principal objetivo alcançar a educação que liberta seres humanos da condição de oprimido e os insere na sociedade como forças transformadoras, críticas, politizadas e responsáveis por todas as pessoas que a integram. Além de apresentação de Francisco C. Weffort e prefácio-poema de Thiago de Mello, esta edição reúne apêndice com exemplos de situações existenciais, que possibilitam no Método a apreensão do conceito de cultura. São acompanhadas de desenhos de Vicente de Abreu feitos a partir das pinturas originais de Francisco Brennand, destruídas pela ditadura militar brasileira.

‘À sombra desta mangueira é uma lúcida’ análise de Paulo Freire sobre o contexto concreto do mundo nos fins do século XX. É um libelo contra a malvadez do neoliberalismo contida no seu fatalismo que nega a humanização e libertação dos seres humanos proclamando a “morte da História”, da utopia, do sonho. Reúne 16 ensaios de Paulo Freire, prefácio de Ladislau Dowbor e apresentação e notas de Ana Maria Araújo Freire.

Ao longo de sua história, Paulo Freire recebeu mais de cem títulos de doutor honoris causa, de diversas universidades nacionais e estrangeiras, além de inúmeros prêmios, como Educação para a Paz, da Unesco, e Ordem do Mérito Cultural, do governo brasileiro. Integra o International Adult and Continuing Education Hall of Fame e o Reading Hall of Fame.

A editora Rocco está preparando uma série de novidades em razão do centenário da escritora Clarice Lispector, celebrado em 2020. Para festejar a autora, serão promovidos diversos lançamentos de sua obra reeditada. As primeiras novidades chegarão já neste mês de dezembro, antes da virada do ano. 

Abrindo as atividades do centenário, neste mês de dezembro serão lançados os três primeiros livros de Clarice, escritos na década de 1940. São eles, Perto do Coração Selvagem, O Lustre e A Cidade Sitiada. Eles virão com novo projeto gráfico, assinado pelo designer Victor Burton. As capas contarão com telas feitas pela autora, que pintou 22 quadros ao longo de sua vida. 

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Além disso, os livros ganham renovação no conteúdo editorial, com posfácios escritos por especialistas em literatura como Nádia Battella Gotlib, Clarisse Fukelman, Benjamin Moser, Aparecida Maria Nunes, Ricardo Iannace, Marina Colasanti, Eucanaã Ferraz, Teresa Montero, Arnaldo Franco Junior e próprio filho da autora, Paulo Gurgel Valente.


 

Misteriosa, reservada, cautelosa. Uma mulher que não dorme com seu marido e fala através de sua roupa. A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, está decidida a ser ela mesma e não precisa que ninguém a salve, garante sua biografia não autorizada.

O livro foi escrito por Kate Bennett, correspondente da CNN na Casa Branca que cobre a mulher do presidente Donald Trump, com o título de "Free, Melania" (Melania, livre), e será lançado nesta terça-feira nos Estados Unidos.

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A ex-modelo nascida na Eslovênia "luta contra o estereótipo de que é ausente, intratável, e inclusive de que está 'presa' na Casa Branca, como sugeriu o hashtag #FreeMelania, que gerou memes" nas redes sociais, diz Bennett.

Esta esguia mulher de 49 anos segue gerando interrogações três anos após a vitória do seu marido, o magnata imobiliário de 73 anos com quem se casou em 2005.

Mas Bennett adverte que ela está longe de ser dócil: "Melania Trump é muito mais poderosa e influente com seu marido do que pensam".

O livro, que cita numerosas fontes, mas não inclui declarações da própria Melania Trump, confirma as versões de que ela foi a responsável pela demissão da alta funcionária de Segurança Nacional da Casa Branca Mira Ricardel, após se sentir desprestigiada durante uma viagem à África em outubro de 2018.

"Melania Trump tem peso sobre as decisões de seu marido, tanto nas questões políticas como na vida pessoal", afirma Bennett.

A autora também cita Ivanka Trump, a filha mais velha do presidente, que muitas vezes a primeira-dama vê como uma usurpadora do seu papel.

Bennett garante que Melania Trump, que costuma enviar mensagens através de suas roupas, falava com Ivanka quando em junho de 2018 vestiu o polêmico casaco verde com a frase: "Realmente não me importa. E a você?"

"Há rachaduras na fachada de vínculo tranquilo entre as duas mulheres mais próximas e influentes do presidente".

Bennett revela ainda que quando Melania Trump usa calça, as coisas não estão bem com o presidente, "porque Trump gosta de mulheres com vestidos justos, curtos, sexy e femininos".

A jornalista afirma que Melania tem uma suíte no terceiro andar da residência presidencial, exatamente acima do quarto principal que ocupa o presidente, e não precisa de autorização do marido para nada.

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O jornalista e escritor João Carlos Pereira foi o convidado, na sexta-feira (22), do Café com Letras, um projeto em conjunto dos cursos de Letras e Psicologia da UNAMA - Universidade da Amazônia. No encontro com alunos e professores, o autor participou de uma conversa a respeito de suas obras e projetos.

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João Carlos Pereira, jornalista da TV Liberal e comentarista do Cirío há 20 anos, falou sobre o seu novo livro (ainda sem título), em que conta histórias e curiosidades sobre a maior festa religiosa do Estado. “Eu não fui buscar nada na internet. Não fui buscar em livros, nada disso. Eu fui direto até as fontes, até quem tinha algo pra contar”, disse o escritor. 

O evento contou com a presença de alunos e docentes da instituição, como o psicólogo, doutor em Teoria da Literatura e um dos organizadores do projeto, José Guilherme de Oliveira Castro. “Vamos entrevistar sempre um escritor, para que a comunidade conheça não só a figura do escritor, mas também a sua obra, e com isso aprenda a valorizar as letras da terra”, destacou.

O projeto Café com Letras ocorre no campus Alcindo Cacela da UNAMA, de 15 em 15 dias, e faz parte do Grupo de Pesquisa de Interfaces do Texto Amazônico (GITA), um conselho de ensino e pesquisa formado em 2017 na Universidade da Amazônia.

Por Afonso Serejo.

Nesta sexta-feira (29), o sociólogo Voldi Ribeiro lança o livro “Lampião e o Nascimento de Maria Bonita”, contendo a data correta do batismo da Rainha do Cangaço, que é 17 de janeiro de 1910. O evento ocorrerá na Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, às 18h30, com entrada franca.

O livro contém 196 páginas e com figuras de Maria Bonita e de Lampião que encontram colorizadas. A obra contém o prefácio e artigo de Frederico Pernambucano de Mello, referência na pesquisa do Cangaço. A pesquisa trata da área onde ela nasceu, Malhada da Caiçara que pertencia a Glória-BA, atualmente pertence a Paulo Afonso–BA.

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Na obra, o sociólogo Voldi Ribeiro discute o surgimento da data incorreta do nascimento de Maria Bonita que outros autores tinham como 8 de março de 1911. E apresenta ainda a composição da família dela, bem como alguns registros de irmãs suas.

Além disso aborda, finalmente, o encontro de Lampião com Maria Bonita, sua convivência de 1931 até 28 de setembro de 1938, data das suas mortes, na grota do Angico, Sergipe.

Voldi de Moura Ribeiro é um pesquisador que reside em Paulo Afonso, Bahia. Ele estuda este tema há mais de 15 anos, também está produzindo um novo livro sobre a participação da mulher no Cangaço.

Serviço

Lançamento do Livro 'Lampião e o Nascimento de Maria Bonita’

Sexta-feira (29) | 18h30

Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco (Rua João Lira, s/n)

Gratuita

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E se o destino das princesas não se resumisse em casar com o Príncipe Encantado e viver feliz para sempre? Em "Lute como uma princesa", Vita Murrow e Julia Bereciartu ousaram criar um mundo de princesas poderosas. O livro estará à venda a partir da próxima quarta (4).

A educadora Vita Murrow e a ilustradora Julia Bereciartu lançam em dezembro a coletânea em que 15 contos de fadas são recontados para uma nova geração de crianças. Bela é uma destemida detetive e se aventura sem medo pela Floresta Proibida, Rapunzel torna-se uma renomada arquiteta que usa suas habilidades para mudar a realidade de sua comunidade e Cinderela é uma líder trabalhista em busca de justiça para todos.

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Essas novas histórias focadas em autoestima, empatia, representatividade e defesa de minorias redefinem o que significa ser uma princesa. A ideia das autoras é mostrar que uma princesa é alguém que está aberta para aprender coisas novas e que busca formas para dar mais sentido à vida daqueles que vivem perto delas.

Com tradução de Dani Gutfreund e edição de Thaisa Burani, o livro tem 96 páginas e sai pelo selo Boitatá da Boitempo.

Redescubra as suas princesas nos contos:

•    Branca de Neve — criadora do concurso de beleza interior

•    Bela Adormecida — especialista em distúrbios do sono

•    Polegarzinha — produtora musical

•    Rapunzel — arquiteta de renome mundial

•    Bela, a corajosa — agente secreta

•    Isabel — estilista

•    Cinderela—primeira-ministra e empresária

•    Estrela — dançarina

•    A menina dos gansos — comediante

•    A princesa e a ervilha — fundadora do Serviço de Encontros Românticos

•    A Rainha das Neves — treinadora de esportes de inverno

•    A pequena sereia — ambientalista

•    Zade — contadora de histórias e empresária

•    Evangelina — bióloga e exploradora

•    A chapeuzinho vermelho — guarda-florestal e Amiga Fiel da Floresta

Com informações de assessoria

Parte integrante do rico panteão de personagens lendários e aterrorizantes das histórias de medo pernambucanas, a judia portuguesa Branca Dias é conhecida por, em noites enluaradas, lavar talheres no Açude do Prata - localizado no bairro de Dois Irmãos, Zona Norte do Recife. Encarcerada durante dois anos pela Inquisição no país natal, ela conseguiu fugir para o Brasil e seu espírito não descansa em paz enquanto houver perseguição e injustiça.

Inspirada na escrita de Edgar Allan Poe, "A máscara da morte branca" é uma história em quadrinhos baseada em lenda clássica do Nordeste antigo, lançada pela editora Draco (R$ 11,90). Com roteiro de Alexey Dodsworth, arte de Isaque Sagara e capa de David Oliveira, toda a trama é historicamente embasada e conta como Branca Dias foi de heroína do povo judeu, no período colonial, a assombração dos tempos atuais. Na capital pernambucana, o lançamento da obra ocorre no dia 14 de dezembro, às 17h, no Museu da Cidade do Recife - Forte das Cinco Pontas. Na ocasião, Alexey profere  a palestra “Branca Dias e outras sombras”. A revista será vendida no local.

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"A máscara da morte branca" tem 32 páginas em preto e branco, formato 17 x 24 cm, papel pólen bold, capa cartonada. A gênese da obra surgiu a partir de interesses bem pessoais do roteirista. Tendo como um dos seus hobbies preferidos o estudo de genealogias, Alexey descobriu que o casal de judeus portugueses Branca Dias e Diogo Fernandes são seus ancestrais (quinze gerações até chegar a ele). A partir daí, ele passou a pesquisar sobre a vida da pessoa real por trás do mito assombrado. "Além disso, tomei conhecimento de uma lei decretada pelos governos de Portugal e da Espanha, que concede cidadania a quem provar que descende de judeus perseguidos pela Inquisição, que é exatamente o meu caso, já que ela foi presa e torturada por dois anos", conta Dodsworth.

Alexey também contratou um pesquisador português que o abasteceu com uma volumosa quantidade de fontes sobre a história de Branca Dias, como, por exemplo, os arquivos da Torre do Tombo, em Portugal. "No Brasil, usei como fonte os livros do pesquisador nordestino Cândido Pinheiro Koren de Lima. Ele tem três livros com material abundante sobre Branca Dias", informa.

Além dos quadrinhos, o leitor de "A máscara da morte branca" tem acesso a trechos de alguns desses documentos históricos. Eles expõem a virulenta perseguição a que foram submetidos os descendentes de Branca Dias. A obra também serve como fonte de informação sobre um pouco da história dessa mulher que foi uma das primeiras professoras de meninas do Brasil e tem muitos descendentes espalhados pela região nordeste.

Da assessoria

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançou, hoje (26), uma revista em quadrinhos da Turma da Mônica e um guia didático para professores sobre consumo sustentável. As publicações além da tiragem impressa também serão disponibilizadas, gratuitamente, em formato digital.

As publicações explicam os impactos negativos do desperdício de alimentos e dão dicas de como substituir esse hábito por um consumo mais sustentável. Em pesquisa recente da Embrapa e da Fundação Getulio Vargas, a família brasileira desperdiça, em média, 128 quilos (kg) de alimentos por ano.

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A iniciativa de hoje faz parte do projeto apoiado pelos Diálogos Setoriais União Europeia – Brasil, liderado pela Embrapa, em parceria com o WWF Brasil, e com colaboração do Instituto Maurício de Sousa. Desde 2017, por meio dos Diálogos Setoriais, a Delegação da União Europeia no Brasil (Delbra) e a Embrapa realizam atividades de pesquisa e de apoio a políticas públicas contra o desperdício de alimentos.

O lançamento do gibi especial aconteceu na segunda edição da feira Pesquisadores do Futuro: Inclusão de Crianças e Jovens do Distrito Federal e Entorno no Mundo da Ciência, que acontece até o dia 29, na sede da Embrapa, em Brasília. O evento é voltado para alunos do ensino fundamental e aborda o universo das pesquisas, ciência, tecnologia e inovações.

A partir desta quarta-feira (27) começa a 21ª Festa do Livro da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste de São Paulo. O evento reúne mais de 230 editoras, que serão divididos em três ambientes e venderão livros com preços mais acessíveis.

A festa acontece há 21 anos e é um momento de aproximar editoras e leitores. Ao todo, serão quatro dias de Festa do Livro, onde os leitores terão a oportunidade de interagir com alguns editores e autores.

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A dica para quem pretende aproveitar os descontos, que podem chegar até 50%, é ficar por dentro dos títulos que estarão presentes na feira, no site do evento há uma relação com os nomes. Para a festa ficar ainda mais completa, haverá food trucks com diversas opções de cardápios durante todo o evento.

Serviço

21ª Festa do Livro da USP

Quando: 27, 28 e 29 de novembro, das 9h às 21h, e 30 de novembro das 9h às 20h

Onde: Av. Professor Mello Moraes, Travessa C - Cidade Universitária - SP

 Entrada gratuita

Entidades do movimento LGBT entraram, na última quinta-feira (21), com uma Ação Civil Pública na Justiça contra o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB). A ação tem como objetivo reparar danos morais coletivos ocorridos após o prefeito ter ordenado o recolhimento de uma HQ com a imagem de dois homens se beijando na 19ª Bienal do Livro, na capital fluminense. 

A ação pede uma indenização de R$ 1 milhão em razão do "notório alcance nacional de sua censura administrativa". O prefeito Crivella deverá desembolsar o valor caso a Justiça conceda o pedido de forma integral. Assinam a ação as entidades Antra (das travestis e transexuais), ABGLT (de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexos) e GADVS (Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual e de Gênero). 

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As entidades pedem que Crivella invista o valor pedido na criação de um fundo para implementar políticas públicas de combate à LGBTfobia, além disso, os solicitantes exigem uma retratação pública do prefeito à comunidade num grande veículo de comunicação. 

Começa, na próxima segunda (28), a segunda edição da Feira da Literatura Infantil (Flitin), realizada pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). O evento leva à Academia Pernambucana de Letras (APL), até o dia 1º de dezembro, atividades como oficinas, bate-papos, contação de histórias, shows, cineminha e os estandes de 10 expositores voltados ao segmento. 

A Flitin, única feira com perfil literário voltado às crianças no Estado, oferece, em sua segunda edição, atividades para os pequenos e para a toda a família. Serão quatro espaços montados na APL - ateliê, palco, auditório e quintal, para promover as atividades que vão de contação de histórias à shows, cinema e feira com 110 expositores. 

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A feira também vai promover lançamento de livros e receber autores. Entre eles, o poeta Miró da Muribeca, que recentemente publicou seu primeiro livro infantil, Atchim!. Miró vai participar de um bate-papo com o público falando sobre sua nova publicação. 

Programação

DIA 28 de outubro – quinta-feira

MANHÃ

9h  – ABERTURA

9h  – Oficina (Atelier)

Metade-Metade  (ou meio de um, meio de outro!), com Emerson Pontes

9h – Oficina (Quintal)

Mãos à horta, com Hawilka Lima. 

9h – Cineminha FLITIN (auditório)

Uma hora de programação voltada para o público infanto-juvenil.

9h30  – Contação de história (Palco) com  o grupo Além da Lenda

10h  – Bate-papo (Auditório)

Os bastidores da série Além da Lenda, com a participação de Erickson Marinho e Bruno Antonio

10h30 – Oficina (Atelier)

Livro de Artista, com Mariama Lopes e Joyce Firmiano (Educativo do MAMAM)

10h30  – Oficina (Quintal)

Mãos à horta, com Hawilka Lima

11h  – Cineminha FLITIN (auditório)

Uma  hora de programação voltada para o público infanto-juvenil.

TARDE

14h  – Oficina (Atelier)

Metade-Metade  (ou meio de um, meio de outro!), com Emerson Pontes

14h  – Oficina (Quintal)

Mãos  à horta, com Hawilka Lima. 

14h  – Cineminha FLITIN (Auditório)

Uma hora de programação voltada para o público infanto-juvenil.

14h30  – Contação de história (Palco)

Com  o grupo Além da Lenda

15h  – PALESTRA (Auditório)

Lula Gonzaga e o cinema de animação em Pernambuco

15h30  – Oficina (Atelier)

Livro  de Artista, com Mariama Lopes e Joyce Firmiano (Educativo do MAMAM)

15h30  – Oficina (Quintal)

Mãos  à horta, com Hawilka Lima

16h  – AULA ESPETÁCULO (Auditório)

Com  Carol Levy

17h  – APRESENTAÇÃO (Palco)

Coral  do Conservatório Pernambucano de Música

18h  – SHOW (Palco)

Bandalelê

Dia 29 de outubro – sexta-feira

MANHÃ

9h  – ABERTURA

9h  – Oficina (Atelier)

Livro de Artista, com Mariama Lopes e Joyce Firmiano (Educativo do MAMAM)

9h  – Oficina (Quintal)

Mãos  à horta, com Hawilka Lima. 

9h – Cineminha FLITIN (auditório)

Uma  hora de programação voltada para o público infanto-juvenil.

9h30  – Contação de história (Palco)

Com o grupo Além da Lenda

10h  – Bate-papo (Auditório)

Os  bastidores da série “Pedrinho e a chuteira da sorte”, com a participação de Marcelo Cavalcante

10h30  – Oficina (Atelier)

Metade-Metade (ou meio de um, meio de outro!), com Emerson Pontes

10h30  – Oficina (Quintal)

Mãos  à horta, com Hawilka Lima 

11h  – Cineminha FLITIN (auditório)

Uma  hora de programação voltada para o público infanto-juvenil.

TARDE

14h  – Oficina (Atelier)

Livro de Artista, com Mariama Lopes e Joyce Firmiano (Educativo do MAMAM)

14h  – Oficina (Quintal)

Mãos à horta, com Hawilka Lima. 

14h  – Cineminha FLITIN (Auditório)

Uma hora de programação voltada para o público infanto-juvenil.

14h30  – Contação de história (Palco)

Com o grupo Além da Lenda

15h30  – Oficina (Atelier)

Metade-Metade (ou meio de um, meio de outro!), com Emerson Pontes

15h30  – Oficina (Quintal)

Mãos à horta, com Hawilka Lima

16h  – Contação de história (Palco)

“Atchim!”, de Miró da Muribeca

16h – AULA ESPETÁCULO (Auditório) com  Carol Levy

17h  – APRESENTAÇÃO (Palco) Coral do Espaço Ária

18h – SHOW (Palco)

Cia Fiandeiros

Dia 30 de outubro – sábado

MANHÃ

9h – ABERTURA

10h – Oficina (Atelier)

Pintura gigante (olha, é a Baleia de Brendan!), com Emerson Pontes

10h – Oficina (Quintal)

Mãos à horta, com Hawilka Lima. 

10h – Cineminha FLITIN (auditório)

Uma hora de programação voltada para o público infanto-juvenil.

10h – Contação de história (Palco)

“O menino mais estranho do mundo”, de Helder Herik

11h – Oficina (Atelier)

Livro de Artista, com Mariama Lopes e Joyce Firmiano (Educativo do MAMAM)

11h  – Oficina (Quintal)

Mãos à horta, com Hawilka Lima

11h  – Contação de história (Palco)

Com  o grupo Além da Lenda e a presença do personagem da série

11h – Bate-papo (Auditório)

Os bastidores do filme Guerreiros da Rua, com a participação de Erickson Marinho

TARDE

14h – Contação de história (Palco)

Com o grupo Além da Lenda e a presença do personagem da série

14h  – Cineminha FLITIN (Auditório)

Uma hora de programação voltada para o público infanto-juvenil.

14h30 – Oficina (Atelier)

Pintura gigante (olha, é a Baleia de Brendan!), com Emerson Pontes

14h30 – Oficina (Quintal)

Mãos à horta, com Hawilka Lima. 

15h  – Roda de conversa (Auditório)

Com livros e com afeto: experiências de leitura em família

15h30  – SHOW (Palco)

Com Rodrigo Lima

16h  – Oficina (Atelier)

Livro  de Artista, com Mariama Lopes e Joyce Firmiano (Educativo do MAMAM)

16h30 – Contação de história (Auditório)

Mateus e Bastião em cana boa pra chupar, com a autora Andala Quituche

17h – SHOW (Palco)

Auto de Natal com Doutores da Alegria

18h – SHOW (Palco)

Carol Levy

 Dia  1º de dezembro – domingo

MANHÃ

9h  – ABERTURA

9h  – Passeio ciclístico (Praça da Jaqueira)

Bobociclismo, com o grupo Doutores da Alegria

9h30  – Contação de história (Palco)

Com o grupo Além da Lenda e a presença do personagem da série

10h  – Oficina (Atelier)

Livro de Artista, com Mariama Lopes e Joyce Firmiano (Educativo do MAMAM)

10h  – Oficina (Quintal)

Mãos à horta, com Hawilka Lima. 

10h – Cineminha FLITIN (auditório)

Uma hora de programação voltada para o público infanto-juvenil.

11h  – Bate-papo (Palco)

As aventuras literárias de crianças escritoras, com mediação de Érica Montenegro 

11h – Oficina (Atelier)

Pintura gigante (olha, é a Baleia de Brendan!), com Emerson Pontes 

11h – Oficina (Quintal)

Mãos à horta, com Hawilka Lima

11h  – Cineminha FLITIN (auditório)

Uma hora de programação voltada para o público infanto-juvenil.

TARDE

14h  – Contação de história (Palco)

Com o grupo Além da Lenda e a presença do personagem da série

14h  – Cineminha FLITIN (Auditório)

Uma hora de programação voltada para o público infanto-juvenil.

15h  – Contação de história (Palco)

“O pedido de Clarice”, de Antônio Fernando Tadeu

15h – Oficina (Atelier)

Livro de Artista, com Mariama Lopes e Joyce Firmiano (Educativo do MAMAM)

15h – Oficina (Quintal)

Mãos à horta, com Hawilka Lima

15h30 – Cineminha FLITIN (Auditório)

Uma hora de programação voltada para o público infanto-juvenil.

16h – SHOW (Palco)

Com Rodrigo Lima

16h  – Oficina (Atelier)

Pintura gigante (olha, é a Baleia de Brendan!), com Emerson Pontes 

16h  – Oficina (Quintal)

Mãos à horta, com Hawilka Lima

17h - Oficina (Atelier)

Xilogravura para crianças, com Mariane Bigio

18h – SHOW (Palco)

Tio  Bruninho

Serviço

2ª Feira Literária Infantil - Flitin

28 de novembro a 1º de dezembro - 9h às 20h

Academia Pernambucana de Letras (Av. Rui Barbosa, 1596, Graças)

Gratuito

 

 

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Lar dos Inválidos, Campinas, 1973. Em uma cama, no canto do quarto de um pavilhão no térreo, há um homem negro de cabelos e barbas brancas. Ele amou três mulheres, três cidades, publicou quatro livros, fundou companhias teatrais e movimentos sociais, excursionou pela Europa e ainda assim está deitado na cama de um asilo, a menos de um ano do momento em que morrerá ou, em suas palavras, tornar-se-á “cantiga determinadamente” e nunca terá “tempo para morrer”. Francisco Solano Trindade deixou sua trajetória de sucesso como os personagens de seus escritos: à margem do mercado, em luta permanente. Escritor, pintor, ator, dramaturgo e folclorista, Solano- em todas as linguagens- abordou a luta do povo negro pela igualdade, a partir de uma estética acessível à compreensão popular e, nesse sentido, tornou-se um pioneiro na arte brasileira. No Dia da Consciência Negra, o LeiaJá relembra a vida do homem que se imortalizou como o primeiro poeta brasileiro “assumidamente” negro.

Em seus escritos autobiográficos, Solano Trindade descreve suas memórias de garoto. Filho do sapateiro Manuel Abílio Trindade e da quituteira Emerenciana, o poeta nasceu no Recife, no dia 24 de julho de 1908, em cujo centro urbano recebeu suas primeiras aulas de poesia. Morador do Pátio do Terço, um dos lugares de resistência mais emblemáticos para a memória afro-brasileira em Pernambuco, Solano conviveu desde cedo com a Igreja de Nossa Senhora do Terço, o Bloco de Samba Turma do Saberé e o terreiro da famosa ialorixá Maria de Lourdes da Silva, conhecida como Badia, uma das figuras centrais do xangô pernambucano. Do burburinho do cotidiano urbano, o artista tirou suas primeiras lições de poesia. “É doce, é doce/o abacaxi/ é doce, é doce/ e é barato [...] Eram os pregões que ele ouvia no bairro de São José”, lembra Raquel Trindade, a falecida filha do poeta e espécie de herdeira artística, no documentário “Solano Trindade, 100 Anos", dirigido por Alessandro Guedes e Helder Vieira.

Militante desde os anos 1960, Inaldete Andrade frisa que Solano era uma de suas poucas referências negras no período. (Júlio Gomes/LeiaJáImagens)

“Raquel nasceu no Recife, saiu e voltou, mas não soube identificar a casa em que ele nasceu. Também fomos visitar, Badia, que não tinha maiores informações, mas penso que aquele bairro não é o mesmo em que Solano nasceu, em termos de arquitetura, pois ele veio ao mundo em uma casa muito pobre”, comenta a escritora Inaldete Andrade. Ativista do movimento negro em Pernambuco desde 1969, Inaldete encantou-se pela obra de Solano ainda em sua primeira reunião na militância, por intermédio de um colega, João Batista Ferreira. “Ele chegou dizendo que recitaria uma poesia de uma poeta negro pernambucano que conheceu em São Paulo, Solano Trindade. O Ferreira, como o chamávamos, explicou que Solano havia saído do Recife porque não obteve muita aceitação no Estado. Ele nunca escreveu isso, essas eram nossas deduções”, frisa.

As memórias de Inaldete com o movimento remontam a um período de poucas referências negras no mundo da cultura e das artes. “Essa divulgação dos artistas negros é recente. Inicialmente, éramos considerados ‘racistas ao contrário’, a imprensa pernambucana também não nos recebeu bem, mas pouco a pouco fomos encontrando espaços. Solano dava essa contribuição enquanto poeta, porque a gente tinha a necessidade de divulgar um nome nosso onde íamos”, afirma.

Filha de criação de Badia, Maria Lúcia indica que Solano morou na casa de número 152 da Rua Vidal de Negreiros, atualmente uma loja, no Centro do Recife. (Chico Peixoto/LeiaJáImagens)

A reportagem do LeiaJá foi à casa de Badia, oficialmente conhecida como Casa das Tias, na Rua Vidal de Negreiros, Pátio do Terço. Falecida em julho de 1991, a ialorixá deixou o imóvel aos cuidados de sua prima e filha de criação, Maria Lúcia Soares dos Santos. “Não tenho muito o que falar sobre Solano, só sei que eles foram vizinhos e que ele era frequentador daqui, Badia sempre comentava que ele tinha morado nessa casa da frente, mas teve que ir embora. Os dois tinham relação de amizade, mas ela morreu sem revê-lo”, lembra Maria Lúcia. Na casa em que teria morado Solano Trindade, agora funciona uma loja de variedades, sem placas ou quaisquer outras referências ao escritor. Curiosamente, foi o Pátio de São Pedro o local escolhido pela Prefeitura do Recife para receber uma estátua em homenagem a Solano.

No interior de casa, Maria Lúcia, contudo, ainda conserva um boneco gigante de Solano e outro de Badia, entregues pela Prefeitura. “Há três anos eles podem ser vistos desfilando na Noite dos Tambores Silenciosos”, acrescenta.

O ano era 1937 quando cinco rapazes até então desconhecidos fundaram a Frente Negra Pernambucana, co-irmã da Frente Negra Pelotense. Gerson Monteiro de Lima, José Melo de Albuquerque, José Vicente Rodrigues Lima, Miguel Barros Mulato e Solano Trindade, que reunira estatísticas da época, verificando a quase completa ausência de negros nos cursos superiores. “Na década de 1930, o racismo era velado. Os brasileiros nunca admitiram que eram racistas, escravocratas e que ainda são. Depois da abolição, que não foi bem aceita por muita gente, as primeiras frentes negras surgiram para reivindicar inclusão para essa população, que segue sem muitas oportunidades”, explica a professora do departamento de história da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Giselda Brito.

Seduzido pelo ideal de igualdade que permeava sua luta no movimento negro, Solano também aderiu ao comunismo, justamente em uma conjuntura de avanço das teorias fascistas em todo o mundo. “Depois da Revolução Russa, em 1917, o mundo capitalista passou a temer a expansão desse processo. No Brasil, o integralismo ficou conhecido como fascismo brasileiro, embora os membros desse movimento preferissem ser chamados de nacionalistas, devido ao aparecimento dos crimes de guerra de Hitler. Como diria (Eric) Hobsbawm, o século XX é o século do fascismo”, completa Brito. Geralmente homens brancos e de alto poder aquisitivo, os integralistas estavam aglutinados por uma forte orientação anticomunista. “Vestiam um fardamento verde, tinham milícia e um movimento de massa”, descreve a professora.

Aos 29 anos, Solano Trindade participou da fundação da Frente Negra Pernambucana. (Arquivo Nacional/Acervo)

Em nota publicada pelo Diario de Pernambuco no dia 10 de maio de 1944, a respeito da retirada dos clubes e associações de negros do triângulo paulista devido a uma suposta solicitação do Sindicato dos Lojistas da região, Solano reagiu: “Isso é um atentado contra a melhor conquista da civilização brasileira”, acrescentando, segundo o jornal, acreditar que se estava usando “a técnica fascista para dividir os brasileiros”. Na ocasião Solano discursava como presidente do Centro de Cultura Afro-brasileiro, por ele criado.

Trindade já havia morado em Belo Horizonte (MG) e Pelotas (RS), no ano de 1940, e lançado seus dois primeiros livros, Poemas Negros (1936) e Poemas de uma vida simples (1944), quando foi preso pelo Estado Novo, em função de suas crenças comunistas. “Minha mãe procurou por ele em diversas detenções, por dias, e sempre ouvia que ele não estava naquele local. Em um deles, ela insistiu e um militar confirmou a presença dele”, conta Godiva Trindade, filha de Solano. No poema confessional “Rio”, o poeta dá a pista de onde foi encontrado: Rua da Relação, na capital fluminense. “Apreenderam muitos livros dele, mas ele não sofreu maus tratos”, continua Godiva.

Bem relacionado, o pernambucano chegou a ser acobertado pela amiga e atriz Ruth de Souza, primeira dama negra do teatro brasileiro, que o escondeu em sua própria casa. O suplício, segundo Godiva, não se compararia, no entanto, ao trauma familiar sofrido em 1964, durante o governo de Castelo Branco, na ditadura militar. “Ele perdeu um filho e eu meu irmão: Francisco Solano Trindade Filho. À epoca, ele servia ao exército e foi chamado a se apresentar ao exército, ao qual servia, através de uma ligação feita para nossa casa às cinco horas da manhã”, lembra Godiva. Aos 18 anos, Solano Filho se despedia pela última vez de sua família. “O que voltou foi o corpo dele, morto. O exército alegou que ele foi vítima de um acidente”, lamenta.

Corporação Warner-Elektra-Atlantic insistiu pela liberação do poema "Trem Sujo de Leopoldina". (Arquivo Nacional/Acervo)

Abatido, o poeta ainda voltaria a sentir o amargor da censura. Em 1973, seus poemas “Mulher Barriguda” e “Trem sujo da Leopoldina” foram musicados por João Ricardo, um dos membros da banda Secos & Molhados, que contava ainda com o cantor Ney Matogrosso e o músico Gérson Conrad. Ao contrário da primeira, a segunda música teve sua divulgação impedida pela Divisão de Censura e Diversões Públicas (DCDP) e não pôde integrar o disco Secos & Molhados, um dos mais icônicos da música popular brasileira. Em 1979, a corporação Warner-Elektra-Atlantic voltou a requerer a liberação da letra, conforme consta em documento atualmente armazenado pelo Arquivo Nacional. Desta vez, a música foi liberada e então lançada pelos Secos & Molhados em conjunto com seu videoclipe oficial, com exclusividade no programa Fantástico, da Rede Globo.

O professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Muniz Sodré, uma das maiores referências nacionais em sua área, é um entusiasta da obra de Solano. “‘Trem sujo da Leopoldina’ é uma poesia de ritmo, movimento, que você pode cantar e até dançar. Poesia não é significado, é sentido, porque ela desestabiliza e escandaliza a linguagem. Você não vai confiar na poesia para um mensagem de ordem prática, mas o grande poeta é o que faz da linguagem uma festa, onde ele dança e orquestra”, coloca. Pela junção desta característica a seu engajamento político, Solano é associado por Sodré a Vladimir Maiakovski. “Um grande poeta da revolução russa, ao mesmo tempo propagandista dela. A propaganda visa objetivos de convencimento e persuasão, mexer com a consciência, o coração do outro, então as palavras têm que ser mais diretas”, prossegue. Assim, a poesia, na visão de Sodré, não se faz apenas com a subversão das palavras. “Mas pelo encantamento das aliterações, pela movimentação forte das palavras e pelas inflexões de espírito. Solano era isso. Maiakóvski era isso”, conclui.

Sem a sofisticação de Ferreira Gullar ou Manuel Bandeira, Solano ginga com as palavras para conquistar seu leitor. “A poesia dele é ritmo, aliteração, assonância e impacto, para trazer o que era o coração dele. Um propósito de libertação do homem negro. Ele sabia que a abolição não tinha realmente abolido a forma social onde a escravidão estava instalada, então queria libertar o negro”, acrescenta Sodré.

Solano atuando em cena do filme "A hora e a vez de Augusto Matraga" (1965), do diretor Roberto Santos. (A hora e a vez de Augusto Matraga/Reprodução)

Durante sua estadia no Rio de Janeiro, Solano fundou o Teatro Popular Brasileiro, em parceria com a companheira Margarida Trindade e o sociólogo Edison Carneiro. Em um artigo do Diario de Pernambuco de 1952, o escritor é lembrado como figura cativa do Café Vermelhinho, reduto da intelectualidade carioca da época. “Surge Solano Trindade, sempre de talão de cobrança em punho, lutando com unhas e dentes para pagar a sala do serviço nacional do teatro, onde seu ‘Teatro Folclórico" ensaia números de candomble, xango, ‘pontos’ e ‘macumbas’. Esse negrinho humilde e incansável nunca se humilha quando se trata de ‘implorar quase’ para manter seu teatro de pé, pagar as despesas, deixar tudo em ordem. Por isso não se espantem quando o virem de talão em punho, perguntando com aquela sua voz analasada: ‘você pode pagar hoje?”’, descreve o cronista.

Composto por operários e estudantes, o elenco do Teatro Popular, contudo, adotou uma postura bem diferente da resignada atitude atribuída a Solano pelo jornal. Com muito esforço, o projeto circulou pela Europa, divulgando expressões populares como o côco de umbigada, o jongo, o maracatu e as festas de xangô. “Na verdade, o Teatro Popular Brasileiro era uma ideia. Quando meu avô morreu, o nome mudou para Teatro Popular Solano Trindade. Nos anos 1980, Raquel Trindade conseguiu construir, em Embu das Artes (SP), um espaço para 400 pessoas, com palco de mais de 40m², dois andares de plateia, dois banheiros, dois camarins e uma sala de aula especial”, relata o músico e neto de Solano, Vitor Trindade, atual presidente do Teatro Solano Trindade.

O Teatro Solano Trindade é uma das muitas heranças deixadas por Solano ao município de Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo. “O Sakai do Embu, mestre da terracota, falou para o Assis, que era negro, que tinha conhecido o Solano na capital e que ele era uma grande entendedor de cultura afro-brasileira. Dessa forma, o Solano foi convidado a vir ao Embu e se encantou pelo lugar, passando a morar aqui”, conta a artista plástica Tônia do Embu, discípula de Sakai. Para Tônia, a presença de Trindade transformaria para sempre a cidade. “Nossa cultura era muito jesuítica e indígena, não tínhamos conhecimento das danças, cores e comidas negras. Quando o Solano veio para cá, o Embu virou uma cidade festiva, graças aos eventos que ele organizava no Largo da Matriz. Isso atraía muitos visitantes paulistanos”, conta.

No Embu, Solano mergulhou em uma antiga paixão. Aproveitando o bom fluxo de turistas na cidade, passou a exercitar sua pintura, classificada por alguns artistas como naïf, isto é, a arte produzida por autodidatas, com traços originais. “Em outros momentos, dava a impressão de ser expressionista ou ainda abstrato. Aqui no Embu há um nicho de arte popular enorme e o Solano não escapou disso. Suas temáticas sempre traziam cenas de bumba-meu-boi, maracatu e candomblé”, comenta Tônia. Segundo a escultura, as dificuldades financeiras enfrentadas pelos artistas na cidade, àquela época, eram enormes. “A gente dependia dos turistas, porque a cidade era muito pobre e pequena, mas o Solano sempre foi muito cercado de amor, carinho, as pessoas ajudavam. Além disso, com assinatura dele, seus quadros vendiam muito. No Museu Afro-brasileiro, em São Paulo, há um quadro dele exposto”, afirma.

Após a morte de seu pai, Raquel Trindade inaugurou o Teatro Solano Trindade, no Embu das Artes. (Prefeitura de Embu das Artes/divulgação)

Com bisnetos, netos e filhos vivendo na cidade, o escritor segue sendo bastante declamado no município. “O Teatro Solano Trindade tem muitos problemas na relação com a construção física, mas mantemos as atividades, oferecendo aulas de dança, percussão e capoeira”, informa Vitor Trindade. Com o terreno em comodato e sob administração da família Trindade, o teatro aguarda verbas para reforma. “Temos um projeto de R$ 20 mil para conserto do telhado, com um dinheiro que viria da prefeitura. Vamos ver se isso se torna realidade”, finaliza.

“Pesquisar na fonte de origem e devolver ao povo em forma de arte”. A mais célebre frase de Solano Trindade, tomada como lema pelo Teatro Popular Brasileiro, denota a essência de seu trabalho: mergulhar fundo na história dos afro-brasileiros para transmitir-lhes uma mensagem clara e acessível, capaz de propagandear uma causa comum. Por isso, nada de termos rebuscados ou construções complexas. Com seus versos diretos, rimados e ritmados, Solano talvez tenha sido o primeiro rapper da poesia brasileira. “Ele já usava termos como ‘mano’ e ‘salve’, para ser acessível. Não buscava uma linguagem acadêmica, porque o acesso à literatura sempre foi restrito à elite. Além disso, lançar e comprar livros era muito caro”, opina o bisneto de Solano, Zinho Trindade, que gosta de se definir como “artista multimídia”, trabalhando, dentre outras linguagens, com o rap.

Zinho recita o bisavô, Solano, diante de sua estátua, no Pátio de São Pedro, Centro do Recife. (Marília Parente/LeiaJá Imagens)

Zinho lembra que seu pai, Vitor Trindade, gravou um disco inteiro, o “Ossé” (2015), com poemas de Solano musicados. “São textos vivos até hoje, fáceis de musicar, em diversos ritmos. Não sei se isso foi proposital, mas ele era um cara que pensava muito à frente de seu tempo”, completa.

Com apenas 16 anos, a poeta Bione acaba de iniciar sua carreira no rap, através de sua mixtape “Sai da Frente”, apresentada em novembro deste ano. “Comecei a escrever poesia marginal aos 13 anos de idade, porque comecei a reparar em problemas sociais como o racismo, o machismo e a LGBTfobia. Só escrevia porque queria desabafar”, lembra. Em 2018, a jovem representou Pernambuco no Slam das Minas Brasil, um dos principais eventos de poesia do país. “A luta de Solano valeu a pena, é um estímulo para a gente. Se tinha gente resistindo naquela época, posso fazer o mesmo hoje; se ele perdeu um filho na ditadura, muitas mães pretas perdem os seus o tempo inteiro para a polícia militar. Então é importante que a gente esteja aqui para reproduzir o que ele fazia, mas de uma maneira mais atualizada, porque o fascismo também está se atualizando. É importante ser essa semente de Solano”, finaliza.

A literatura é tida como ferramenta de educação e formação de uma sociedade. Sendo assim, ler os autores de seu país pode ser uma ótima estratégia para entender melhor sobre as pessoas que o cercam e até a si próprio. Nesta quarta (20), em que é celebrado o Dia da Consciência Negra, o LeiaJá preparou uma lista com sete dos mais importantes escritores negros do Brasil que em suas obras discorrem sobre temas muito discutidos, sobretudo nesta data, como o combate ao racismo, igualdade racial e de gênero e as lutas diárias da sociedade brasileira e de sua população negra. Confira e abra espaço em sua estante: 

Solano Trindade

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Poeta, folclorista, pintor, ator, teatrólogo, cineasta e militante, Solano Trindade tornou-se um dos nomes mais fortes da literatura brasileira. O escritor recifense traz em sua obra as reivindicações sociais dos negros em busca de melhores condições de vida. Alguns de seus títulos de destaque são 'Poemas d'uma vida simples' e 'Cantares ao meu povo'. 

Maria Firmina

Nascida em São Luís, no Maranhão, Maria Firmina foi pioneira ao escrever o primeiro romance abolicionista do país e ser a primeira mulher negra a publicar um livro, 'Úrsula', em 1859. Ela também escreveu poemas e contribuiu em diversos jornais de sua época. Após aposentar-se, em 1880, a escritora criou uma escola gratuita e mista. 

Carolina Maria de Jesus

A mineira Carolina de Jesus é considerada uma das primeiras escritoras negras do Brasil. Em sua obra ela fala do cotidiano dos moradores das favelas, tendo sido ela uma dessas moradoras pela maior parte de sua vida. Um de seus principais livros, Quarto de despejo: 'Diário de uma favelada', de 1960, vendeu cerca de 100 mil exemplares e foi publicado em mais de 40 países, em 13 idiomas diferentes. 

Conceição Evaristo

A escritora mineira, que só concluiu seus estudos básicos aos 25 anos por ter se dividido, durante toda a vida, entre a escola e o trabalho como doméstica, fez sua estreia na literatura em 1990. Hoje, mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense, Conceição Evaristo tem obras traduzidas em diversos idiomas e publicadas no exterior. Ela é militante ativa do movimento negro e trabalha em seus escritos temas como discriminação racial, de gênero e de classe. 

Miró da Muribeca

João Flávio Cordeiro Silva, mais conhecido como Miró da Muribeca, é um poeta recifense, com 13 livros lançados e uma recente estreia na literatura infantil com a publicação 'Atchim!'. Miró pode ser visto pelas ruas do Recife, recitando e conversando com as pessoas e é dessa vivência que extrai material para o seu trabalho. A violência urbana, dificuldades do cotidiano, e as pequenas alegrias do dia a dia costumam estar presentes em sua obra. 

Djamila Ribeiro

Um dos mais importantes nomes da luta contra o racismo e do feminismo, na atualidade, Djamila Ribeiro é filósofa e escritora. Ela tem percorrido o Brasil e o mundo falando sobre igualdade racial e de gênero e algumas de suas obras também já foram publicadas no exterior. Entre seus lançamentos, estão 'Quem tem medo do feminismo negro?' e 'O que é lugar de fala?'. No final de 2019, ela lança 'Pequeno Manual Antirracista', pela editora Companhia das Letras. 

Machado de Assis

Um nome que dispensa apresentações, sendo Machado um dos mais importantes e conhecidos autores do país. Ele escreveu romances, contos, peças de teatros, crônicas e poemas, mas a desigualdade racial não era algo fortemente presente em sua obra. No entanto, recentemente, sua figura surgiu como símbolo contra o racismo em uma campanha de reparação histórica após indícios atestarem que o autor era, na verdade, negro, e não branco como costuma aparecer em uma das poucas imagens de sua pessoa. A campanha Machado de Assis Real, lançada pela Faculdade Zumbi dos Palmares, tratou de reparar o embranquecimento perpetuado na imagem do autor até então, com o objetivo de corrigir o racismo na literatura brasileira. 

Imagens: Reprodução

Reprodução/Instagram Djamila Ribeiro e Conceição Evaristo

Rafael Bandeira/LeiaJàImagens/Arquivo (Miró da Muribeca)

O Brasil se tornou, em 1888, o último país das Américas a abolir a escravidão, mas "nunca enfrentou seu legado" de racismo e discriminação - afirma o escritor Laurentino Gomes, em entrevista à AFP.

Após sua bem-sucedida trilogia "1808", "1822" e "1889", sobre a chegada da Corte portuguesa ao Brasil, a Independência e a proclamação da República, Laurentino volta agora com "Escravidão", o primeiro de outra série de três livros históricos sobre o brutal comércio de escravos entre a África e seu país.

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O autor, de 63 anos, visitou 12 países africanos, europeus e americanos para explicar esta "tragédia humana de proporções gigantescas", especialmente no Brasil, que recebeu cinco milhões de escravos.

P: Você conta no livro que o comércio de escravos da África era tão intenso, que os tubarões adaptaram sua rota.

R: Os números da escravidão são assustadores. Saíram da África 12,5 milhões de pessoas embarcadas em navios negreiros: 10,7 milhões desembarcaram, e 1,8 milhão morreram na travessia. Se você dividir esse número pelos dias, vai dar 14 cadáveres, em média, lançados ao mar todos os dias ao longo de 350 anos. A ponto de haver relatos, na época, de que isso mudou o comportamento dos cardumes de tubarões no Atlântico, que passaram a seguir os navios negreiros. Têm relatos de capitães de navios negreiros, dizendo que, no golfo de Benin, tão logo chegavam os navios negreiros, os cardumes de tubarões passavam a cercar esses navios na espera de cadáveres que caíssem ao mar enquanto o navio estava sendo carregado.

P: E morriam de quê?

R: Para mim, isso foi a coisa mais assustadora. As pessoas morriam de tudo. De doenças, de falta de alimentação, de água, mas morriam também de uma coisa chamada "banzo", que era um surto de depressão e que fazia com que a pessoa parasse de comer, ficasse completamente inanimada. Algumas pulavam dos navios e, por isso, os navios tinham redes de proteção em volta para que as pessoas não pulassem no mar, suicídios... O índice de suicídios era muito grande.

- 'Uma abolição branca' -

P: Você afirma que a escravidão é o tema mais definidor da identidade brasileira.

R: E o assunto mais importante da história do Brasil. O Brasil foi o maior território escravista da América. Recebeu quase 5 milhões de escravos africanos, 40% do total dos cativos que embarcaram para a América, cerca de 12,5 milhões. Foi o país que mais dependeu da escravidão no novo mundo. Todos os nossos ciclos econômicos, o pau-brasil, a cana-de-açúcar, ouro e diamantes, tabaco, algodão, pecuária, café... Tudo foi construído por mão de obra escrava. Todos os nossos principais acontecimentos históricos (guerra contra os holandeses em Pernambuco, a Monarquia, a Independência) não se entendem sem observar a escravidão.

P: É uma ferida aberta?

R: Os abolicionistas do século XIX diziam que não bastava enfrentar o legado da escravidão, era preciso também enfrentar o legado da escravidão nos âmbitos da educação, terras, trabalho, oportunidades para os ex-escravos e seus descendentes. O Brasil não fez isso. O Brasil fez uma abolição branca, livrar o Brasil de uma mancha que comprometia sua imagem perante o mundo supostamente civilizado, a selvageria, a barbárie da escravidão. Então, o Brasil promove a Lei Áurea e abandona os afrodescendentes à própria sorte. O resultado aparece hoje nas estatísticas, que mostram que, de qualquer ponto de vista que você tente medir o Brasil (renda, educação, trabalho, segurança, saúde, moradia) há um abismo de oportunidades entre a população branca descendente de europeus e a população descendente de africanos.

P: Quais, por exemplo?

R: Um homem negro no Brasil tem oito vezes mais chances de ser vítima de homicídio do que um homem branco. Os negros são a maior população carcerária do Brasil. Então, você vê que a escravidão está presente na realidade brasileira de hoje. Está na geografia, na paisagem brasileira. Se você vai ao Rio de Janeiro e observa quem mora na periferia, nas favelas perigosas, violentas, dominadas pelo crime organizado, sem qualquer assistência do Estado, você vê a população afrodescendente. Se você vai à Zona Sul, Leblon, Ipanema, Copacabana, boa qualidade de vida, população descendente de europeus brancos.

- Ação e reação -

P: Nenhum governo fez nada para integrar realmente a população negra?

R: Nenhum. Houve algumas conquistas muito cosméticas, como dar direito de voto aos negros. Mas isso não resultou em benefícios concretos. Os esforços reais de correção estão surgindo, curiosamente, no Brasil da democracia, começando a surgir políticas públicas muito polêmicas, como as cotas raciais para filhos de afrodescendentes, de negros, de mestiços nas universidades, na administração pública. Isso é uma coisa concreta, real, e que deve ser estimulada.

Mas, ao mesmo tempo, esse assunto é tão sensível, porque envolve distribuição de recursos, de privilégios, de benefícios, de oportunidades, que há também uma reação, que é o que está acontecendo no governo atual.

Se você observar o governo atual, ele é um governo racista, ele é um governo supremacista branco. Não é à toa que, na campanha eleitoral, o assunto escravidão veio forte. O candidato [Jair Bolsonaro] dizia que os portugueses nunca entraram na África, que eram os próprios africanos que escravizavam africanos.

P: Isso em parte é verdade?

R: Sim, isso é uma verdade histórica. Onde houve ser humano até hoje, na Babilônia, na Grécia, no Egito Antigo, em Roma, houve escravidão. E também na África. O problema é usar esse argumento histórico como um discurso racista, para dizer "A escravidão é problema deles, eu não tenho nada a ver com isso, eles se escravizaram. Então eu, brasileiro, branco, do século XXI que tive todas as oportunidades e virei presidente da República, não tenho nada a ver com isso".

Esse argumento (de que os negros escravizaram negros) está sendo usado agora como um discurso para combater políticas públicas, cujo objetivo é enfrentar o legado da escravidão.

P: É possível culpar alguém pela escravidão?

R: Reinos e impérios surgiram em países da África para capturar escravos e fornecer aos europeus. Claro que os europeus estimularam isso, fornecendo armas, munições, bebidas alcoólicas que desestabilizaram a geopolítica da África. Mas muitas das dinastias atuais africanas nasceram com o tráfico de escravos. Quem vai indenizar quem? No Brasil, muitos ex-escravos também eram donos de escravos.

Se discute muito sobre se os grandes países exportadores de africanos, como Portugal, Espanha, França, Brasil, deveriam indenizar os países africanos. Acredito que, depois de tanto tempo, seja muito difícil identificar quem foram as vítimas e quem foram os algozes. Tenho dúvidas sobre se é possível fazer um acerto de contas.

P: Que papel a Igreja católica teve na escravidão?

R: Isso é um tema muito sensível, e uma contradição entre o evangelho da misericórdia, do amor, do acolhimento e a escravidão. Porque a Igreja católica participou e lucrou do tráfico de escravos e do trabalho cativo até o final do século XIX, até as vésperas da Lei Áurea no Brasil. A Igreja nunca se pronunciou de forma categórica, decisiva, contra a escravidão. Ao contrário, todas as grandes ordens religiosas do Brasil, os jesuítas, os carmelitas, beneditinos, franciscanos, eram donos de grandes plantéis de escravos.

O poeta espanhol Joan Margarit, que desenvolveu seu trabalho em catalão e em espanhol, é o vencedor do Prêmio Cervantes de 2019, o mais prestigiados das letras espanholas, anunciou nesta quinta-feira o ministro da Cultura da Espanha, José Guirao.

O prêmio foi concedido “por seu trabalho poético de profunda transcendência e linguagem lúcida, sempre inovador”, afirmou Guirao em Madri, ao lado da poeta uruguaia Ida Vitale, vencedora do Cervantes no ano passado.

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“Enriqueceu a língua espanhola e a língua catalã e representa a pluralidade da cultura peninsular em uma dimensão universal de grande maestria”, acrescentou o ministro, citando as motivações do júri.

O Cervantes, dotado com 125.000 euros, é o segundo grande prêmio que este poeta catalão de 81 anos recebe em 2019, sendo o primeiro, entregue em maio, o Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana, a distinção mais importante desse gênero em espanhol e português. É dotado com 42.100 euros, incluindo a edição de poemas antológicos.

O poeta catalão é autor de uma importante obra, que inclui títulos como “Estação da França” (1999), “Joana” (2002), “Misteriosamente feliz” (2008), ou “Para ter casa é preciso ganhar a guerra” (2018).

Paralelamente, praticou arquitetura por décadas, em um estúdio de Barcelona que, entre outros, participou do projeto, cálculo e gerenciamento da construção do tempo da Sagrada Família.

O Prêmio Cervantes será entregue pelos reis da Espanha, Felipe VI e Letizia, em cerimônia solene marcada para abril em Alcalá de Henares, cidade natal do autor de Dom Quixote de La Mancha.

Considerada abrigo do mais importante acervo nas áreas de ciências sociais e humanidades, a Biblioteca Blanche Knopf, localizada na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj)/Apipucos, na Zona Norte do Recife, celebra, em 2019, 65 anos de existência. Para comemorar, a coordenação do lugar preparou uma extensa programação com oficinas, exposição, contação de histórias e jogos. As atividades começam nesta quarta  (13), com abertura na sala Aloísio Magalhães, no campus Derby da Fundaj. 

Com um acervo de 129 mil volumes, a Biblioteca Blanche Knopf oferece livros, folhetos, revistas, quadrinhos, obras raras e fascículos de periódicos, além de mais de três mil folhetos de cordel disponíveis para consulta. A biblioteca funciona a fim de preservar a memória e proteção desse acervo além de mediar o acesso do público a ele. 

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Para celebrar o aniversário do lugar, será realizada uma semana inteira de atividades. Abrindo as atividades, nesa quarta (13), a bibliotecária Lúcia Gaspar participa de um bate-papo sobre a importância da Blanche Knopf para o país. As demais atividades acontecerão no miniauditório da biblioteca, na Fundaj/Apipucos, de 18 a 22 de novembro, das 8h às 12h e das 13h às 17h. 

Programação

13/11 

15h - Abertura "Legado da Biblioteca Blanche Knopf" por Lúcia Gaspar 

18/11

 8h30 às 11h30

Exposição "História das Bibliotecas e da Leitura" por Rosilene Farias e "Realização do Jogo do Patrimônio" 

19/11

8h às 12h, e 13h às 17h

Oficina "Elaboração de encadernação pré-constituída" por Edson Araújo 

20/11 

 08h30 às 11h30

Exposição "História das Bibliotecas e da Leitura" por Rosilene Farias e "Realização do Jogo do Patrimônio" 

21/11

8h às 12h e 13h às 17h

Oficina "Elaboração de acondicionamentos em papel" por Caique Teixeira

22/11 

13h às 17h

Contação de História com Érica Montenegro e "Realização do Jogo do Patrimônio"

Serviço

Comemoração dos 65 anos da Biblioteca Blanche Knopf

13 de novembro; 18 a 22 de novembro

Fundação Joaquim Nabuco Derby e Apipucos

Gratuito

O cronista Joca Souza Leão lança, nesta terça-feira, dia 12 de novembro, seu novo livro: A Primeira Vez. Crônicas e 101 Diálogos (Im)prováveis, sua quarta publicação editada pela Cepe - Companhia Editora de Pernambuco. O evento de lançamento, aberto ao público, acontece no Bar Real, em Casa Forte, a partir das 19h. O livro é dividido em duas partes, com dois prefácios.

Na primeira, 70 crônicas, prefaciadas por Everardo Maciel, que põe de lado seu saber tributário para discorrer, com coloquialidade e fluidez, como numa crônica, sobre a obra e o autor. Na segunda parte, os 101 diálogos têm prefácio do jornalista, escritor e compositor Aluízio Falcão.

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 As crônicas de Joca, tanto neste livro quanto nos anteriores, traduzem o que se pode chamar de ethos pernambucano: gostos, costumes e valores de personagens anônimos e famosos. Quando não pernambucanos, vistos com um olhar pernambucano ou, pelo menos, a partir de Pernambuco. Ao narrar suas crônicas, Joca faz um registro de sua época, apresentando, mais que episódios bem-humorados, preciosos testemunhos da micro história cotidiana. 

O repertório das crônicas é variado: política - "assunto incontornável nesses tempos de cóleras e abismos", diz o autor; a cidade em si - questões urbanas sobre as quais o cronista se permite sugestões concretas que estão a merecer atenção de prefeitos sensíveis; pequenos dramas e comédias do cotidiano; reminiscências pessoais para além do meramente nostálgico, como futebol e cultura; entre outros temas.

Sobre os diálogos contidos no livro serem prováveis ou improváveis, Joca diz que são as duas coisas. "Alguns são literais, ipsis litteris. Outros, metzzo a metzzo. E em alguns, os personagens talvez não tenham falado exatamente o que anotei; mas que pensaram, pensaram. No livro, eu explico tudo direitinho", afirma. O livro tem o projeto gráfico assinado por Ricardo Melo.

*Da assessoria

Quem passar pela Praça da Bíblia, no bairro do Curado II, e próximo ao Terminal Integrado de Passageiros (TIP), no Curado IV, vai perceber alguns livros espalhados pelo caminho. A ação, chamada 'Livros Livres', é realizada pelo Governo de Pernambuco e tem o objetivo de estimular a leitura e o compartilhamento de obras. Ao todo, 100 títulos estarão espalhados pelas ruas à disposição dos transeuntes. 

Criado pela coordenadoria de Literatura da Secult/Fundarpe, em 2012, o projeto reúne livros doados, títulos vencedores do Prêmio Pernambucano de Literatura e publicações incentivadas pelo Funcultura. Desde seu surgimento, em 2012, o Livros Livres já distribuiu mais de cinco mil publicações, sempre em lugares públicos. 

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Os livros espalhados são etiquetados com um selo explicativo, incentivando a prática do compartilhamento da leitura. A ideia é estimular a leitura e o compartilhamento, sugerindo que o leitor deixe o livro em um outro lugar após terminá-lo. Nesta edição, os bairros do Curado II e Curado IV receberão 100 livros por suas praças e ruas. 

Serviço

Livros Livres 

Sexta feira (8)

Ruas e praças dos bairros Curado II e IV

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